Ibovespa fecha em alta de 1,3% enquanto dólar vai a R$ 3,13

Arrefecimento da questão política coloca menos pressão no mercado

Por Infomoney

Ibovespa fecha em alta de 1,3% enquanto dólar vai a R$ 3,13

O Ibovespa subiu nesta quarta-feira (11) e caminha para o primeiro pregão de alta depois de cinco quedas consecutivas – maior sequência negativa setembro do ano passado. A correção ocorre em meio à arrefecimento nas tensões políticas por causa do acordo entre o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), sobre o reajuste da tabela do Imposto de Renda (IR). O exterior também contribui para o dia positivo, com os índices europeus fechando em alta com programa de estímulos e euro desvalorizado impulsionando exportadoras. O benchmark fechou em alta de 1,27%, a 48.905 pontos. Ao mesmo tempo, o dólar comercial subiu 0,77%, a R$ 3,1278. Já no mercado de juros futuros, o contrato do DI para janeiro de 2017 subia 0,09 ponto percentual, a 13,09%, enquanto o contrato para janeiro de 2021 subia 0,03 p.p., a 13,63%. Os juros se mantém precificando uma continuidade no aperto monetário conduzido por Alexandre Tombini no Banco Central. O volume financeiro negociado na Bolsa neste pregão foi de R$ 7,051 bilhões. Para o analista da WinTrade, Bruno Gonçalves, a diminuição nas tensões políticas com o acordo do reajuste escalonado do IR ajudou a reduzir o risco nos mercados. Para ele, a recuperação dos bancos também foi fundamental para a recuperação do Ibovespa.

Fluxo cambial e petróleo
Na agenda de indicadores desta quarta, o mais relevante foi o fluxo cambial. Após entradas de US$ 3,9 bilhões em janeiro e "devolução" de US$ 1,1 bilhão em fevereiro, o mês de março registra fluxo cambial positivo de US$ 3 bilhões em sua primeira semana, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central. As operações financeiras voltaram a liderar os ingressos de recursos nos primeiros dias de março. Somaram US$ 1,9 bilhão, já descontados os envios. Já nos Estados Unidos, os estoques de petróleo cresceram em 4,5 milhões de barris, o que manteve os preços do WTI (West Texas Intermediate) em US$ 48,35. 

Ações em destaque
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 8,47, +1,8%; PETR4, R$ 8,79, +2,8%) tiveram alta com notícias de que a nova diretoria fará uma força-tarefa para incluir o pagamento de propinas no balanço auditado do terceiro trimestre. A informação foi antecipada pela Folha de São Paulo. A Petrobras também informou que, até o momento, não foi informada pelo acionista controlador – o governo federal – da intenção de alteração na composição do conselho de administração. Durante o dia surgiram rumores de que Murilo Ferreira, presidente da Vale, iria ocupar o posto que é de Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda. Segundo a empresa, sete dos dez membros do conselho da estatal foram indicados ou apoiados pelo governo. Na mesma toada, depois de fortes quedas, as ações dos bancos também mostraram alívio. Destaque para os grandes bancos como o Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 33,86, +3,4%), o Bradesco (BBDC3, R$ 35,05, +2%; BBDC4, R$ 34,70, +3%) e o Banco do Brasil (BBAS3, R$ 21,61,+1,6%). Já os papéis da Vale (VALE3, R$ 18,86, -1,2%; VALE5, R$ 16,33, -1,4%) caíram com a desaceleração da economia chinesa. 

As ações da Braskem (BRKM5, R$ 11,03, -19,8%) desabaram após depoimentos que ligaram a empresa ao esquema de propina da Operação Lava Jato. Segundo dois delatores, a companhia, controlada pela Odebrecht, pagou propina para comprar matéria-prima mais barata da Petrobras entre 2006 e 2012. O doleiro Alberto Youssef disse que, em troca de suposto favorecimento, a Braskem pagava em média US$ 5 milhões. Em comunicado, a empresa declarou que todos os pagamentos com a Petrobras seguiram a legislação aplicável e foram aprovados de acordo com as regras de governança. A Braskem também ressaltou que os preços praticados nos contratos de matérias-primas nunca a favoreceram e sempre estiveram atrelados às mais caras referências internacionais. 

Estados Unidos e Europa
Nos Estados Unidos, as bolsas operam em leve baixa com preocupações com a valorização muito forte do dólar ante a maior parte das divisas mundiais e com o timing do aguardado aumento dos juros pelo Federal Reserve. Já na Europa, as bolsas fecharam em alta com a desvalorização do euro, que impulsionou as ações de exportadoras. O euro caiu abaixo de US$ 1,06 pela primeira vez em doze anos nesta quarta-feira, dando continuidade a um amplo declínio desde que o Banco Central Europeu (BCE) deu início a um programa de compra de ativos de 1,1 trilhão de euros (1,2 trilhão de dólares) no início da semana. Operadores disseram que um efeito do programa de compra de títulos do BCE, conhecido como "quantitative easing", é deixar ações alemãs e europeias mais atraentes do que títulos alemães, tanto em termos de preço relativo quanto em rendimento.

Emergentes e bolsas asiáticas sofrem
Ativos com maior risco vêm sofrendo pressão após os fortes dados de empregos nos Estados Unidos na sexta-feira (6) terem aumentado as expectativas de que o Federal Reserve, banco central norte-americano, pode elevar a taxa de juros já em junho. Receios renovados sobre as negociações da Grécia acerca da dívida com parceiros da zona do euro e pressões deflacionárias na China também pesaram sobre mercados emergentes em geral. Dados divulgados nesta quarta-feira reforçaram a noção de uma desaceleração no crescimento da China, com números de produção industrial, vendas no varejo e investimento um pouco mais fracos que o esperado. O índice japonês Nikkei contrariou a tendência e subiu 0,3% depois que dados de encomendas de maquinário melhores que o esperado ajudaram a compensar perdas em Wall Street.

Com Reuters



leia também

comentarios


Seja o primeiro a comentar a notícia!



Comentar

Adicione um comentário: