Um 2019 de experiências transformadoras

Não existe atualmente área produtiva que prescinda de inovação

Por Letícia Polydoro

Não existe atualmente área produtiva que prescinda de inovação

Há alguns meses, participei de um encontro na nova sede do Sebrae-RS ? espaço muito bacana no Centro de Porto Alegre ? com um grupo de empresários que se reuniu para contar sua experiência no SXSW 2018. Para quem não conhece, o SXSW (South by Southwest) é um grande festival internacional de economia criativa que ocorre desde 1987 em Austin, no Texas. No encontro, os speakers compartilharam informações sobre tudo o que envolve este grande evento mundial: inovação, transformação social, música, tecnologia, comportamento, moda... enfim, diversas áreas de atividade humana fervilhando em uma vibração positiva de colaboração, integração e difusão de novos conhecimentos. Se o mundo estiver caminhando na direção que aponta o festival, então tudo o que temos passado nos últimos tempos terá valido a pena.

Saí do encontro muito motivada, vislumbrando esse novo futuro. Ocorre que a nova sede do Sebrae-RS fica na Avenida Salgado Filho, um dos pontos mais movimentados do Centro da cidade. Ao cruzar a porta, tive a sensação desconfortável de estar ultrapassando um Portal. Em vez de um futuro harmônico, vislumbrei uma distopia ao estilo Mad Max.

Tomei um choque de realidade. Afinal, não estamos nos Estados Unidos, estamos no Brasil. Enquanto nós estamos falando em iOT, AI, VR, AR e tantas outras tecnologias chamadas “disruptivas”, saímos na rua e nos deparamos com uma realidade árida, inóspita, com crianças pedindo dinheiro nas esquinas, com total falta de perspectiva futura. Hiato social. De um lado estamos mirando na Lua; de outro, não temos o que comer. Um imenso paradoxo. 

O caminho tradicional para realizar uma mudança nesse cenário é desalentador. Perpassa por muitas iniciativas, principalmente governamentais. Uma reforma de base, na educação, na saúde e na segurança. Mas reflitam comigo: vamos que, por algum fator mágico, nossos governantes de todas as instâncias públicas passassem imediatamente a se dedicar ao bem comum, começando hoje uma nova era no Brasil. Em quantos anos essa nova geração que começaria a se beneficiar agora realmente teria algum protagonismo e o reverteria em benefício para a sociedade brasileira? Coloquemos aí, sendo otimistas, 30 anos adiante. Ou seja, lá por volta de 2050 começaremos a ser o Brasil que queremos. Não é maravilhoso?

Claro que temos de cobrar de nossos governantes atitudes que mudem esse cenário. Mas se queremos vivenciar uma realidade diferente em menor espaço de tempo, isso não basta. E o que fazer no curto prazo? Voltemos ao nosso dia a dia: a transformação digital está eliminando cargos de mão de obra desqualificada e gerando novos postos em áreas que exigem conhecimento estratégico. Excelente para países desenvolvidos. Mas para nações como a nossa, isso só faz ampliar o abismo. O hiato social está aumentando assustadoramente e, em breve, se transformará em cratera intransponível. 

Tal perspectiva futura precisa gerar reflexão hoje. Falamos em ambientes colaborativos, desde que os integrantes sejam pessoas como nós. Isso não é sustentável como sociedade. Sobram vagas em nossas empresas de tecnologia e existem pessoas precisando de emprego. Não é um contrassenso? Se há um setor da economia capaz de realizar grandes transformações é o da inovação. É o segmento com mais investimentos no mundo. Sem inovação não seremos competitivos internacionalmente, pois ela é a chave para o desenvolvimento. Nas pesquisas sobre carreiras do futuro, a maioria é em áreas de ambiente tecnológico. Temos de recrutar todos para fazer parte desse novo cenário. E se tentássemos conduzir nossos jovens de baixa renda, que atualmente contam com poucas perspectivas, para uma área onde eles poderão fazer a diferença e prepará-los, não ganharíamos todos com isso?

Pode parecer utopia, mas acredito na inovação como o atalho transformador da nossa sociedade. Não existe atualmente área produtiva que prescinda de inovação. A maioria das associações empresariais possuem iniciativas nesse sentido. Precisamos nós mesmos refazer nosso mindset.  Se cada empresário se engajar em alguma destas iniciativas dentro de seu próprio ecossistema e fizer uma pequena experiência nesta direção, criando oportunidades para nossos jovens, a transformação começará a acontecer – e a soma delas se refletirá em um cenário mais justo e competitivo em um curto espaço de tempo. Ganharemos como mercado, como sociedade e como indivíduos. Seria um excelente desafio para o novo ano que se inicia: um 2019 repleto de experiências transformadoras para todos nós!


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