Aneel leiloa todos os lotes de linhas de transmissão e subestações no Sul

Os projetos para a região somam um aporte total de R$ 8,5 bilhões. A Neoenergia e a CPFL conquistaram metade das ofertas

Da Redação, com Agência Brasil

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Linhas de transmissão de energia elétrica

O leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realizado nesta quinta-feira (20) na empresa B3, antiga BM&F Bovespa, na capital paulista, chegou ao fim com todos os 16 lotes arrematados. Foram licitadas concessões para construção, operação e manutenção de 80 empreendimentos, dos quais 55 são linhas de transmissão e 25 são subestações. Serão contemplados 7,152 mil quilômetros de linhas de transmissão e subestações com 14,819 mil megavolt-ampere (MVA). As instalações entram em operação no prazo de 48 a 60 meses. A soma dos lotes é de R$ 2,1 bilhões, e os vencedores recebem essas receitas pela prestação do serviço por 30 anos. O leilão teve deságio médio de 46%. De acordo com o diretor da agência reguladora, Sandoval Feitosa Neto, a economia para o consumidor brasileiro é de aproximadamente R$ 25 bilhões nos próximos 25 anos.

Oito lotes incluíram aportes no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Os projetos envolvidos na região somam um investimento total de R$ 8,5 bilhões– o maior deles no lote 1 (R$ 2,7 bilhões). A Neoenergia e a CPFL conquistaram metade dos oito lotes. A Neoenergia, controlada pela espanhola Iberdrola , arrematou o lote 1. A companhia ofereceu uma receita anual permitida (RAP) de R$ 194,2 milhões, deságio de 57% em relação à máxima calculada pela Aneel, de R$ 452,3 milhões. Com investimentos estimados em R$ 2,7 bilhões, o lote 1 envolve 1,097 mil quilômetros de extensão em linhas de transmissão e 6,5 mil megavolt-amperes (MVA) de capacidade de transformação, com empreendimentos localizados entre Santa Catarina e Paraná. A finalidade é o atendimento elétrico em Santa Catarina, com foco na região norte do Estado e no Vale de Itajaí. Além disso, será viabilizado atendimento elétrico nas regiões de Joinville, Jaraguá do Sul, Indaial e Itajaí. Com prazo de cinco anos para que as obras sejam concluídas, o lote 1 envolve a estimativa de criação de 5,5 mil empregos diretos. 

A CPFL Energia propôs uma receita anual permitida de R$ 26,3 milhões, deságio de 57,1% em relação ao montante de R$ 61,5 milhões, e levou o lote 5. Com aportes estimados em R$ 366 milhões, o plano envolve 320 quilômetros de extensão em linhas de transmissão e 1,3 mil MVA de capacidade de transformação, com empreendimentos localizados em Santa Catarina. A finalidade é o atendimento elétrico ao Estado, com objetivo de eliminar violações de tensão nas instalações de rede básica e de rede de distribuição. Com prazo de 60 meses para que as obras sejam concluídas, o lote 5 pode gerar 732 empregos diretos.

O consórcio Emtep, formado pelas empresas Jaac Materiais e Serviços de Engenharia, com 80%, e pela Emtep Serviços Técnicos de Petróleo, com os 20% restantes, venceu o lote 6. O consórcio ofereceu RAP de R$ 11,5 milhões, deságio de 49% em relação aos R$ 22,5 milhões definidos. Com investimentos estimados em R$ 134,1 milhões, o lote envolve 161,4 quilômetros de extensão em linhas de transmissão, com empreendimentos em Santa Catarina, dirigidos para a região oeste. Com prazo de 54 meses para que as obras sejam concluídas, o sexto lote deverá criar 298 empregos diretos. O Consórcio Chimarrão arrematou o Lote 10 ao oferecer RAP de R$ 219,5 milhões, deságio de 42,3%. O grupo é formado pela espanhola Cimy, com participação de 50%, e pela Brasil Energia Fundo de Investimento, da Brookfield, que detém a outra metade. Com aporte estimado em R$ 2,4 bilhões, o Lote 10 envolve 1.193 quilômetros de extensão em linhas de transmissão e 2.688 MVA de capacidade de transformação, com empreendimentos localizados no Rio Grande do Sul. O objetivo é a integração do potencial eólico do Rio Grande do Sul, especialmente na região do Escudo Rio-Grandense, litoral Sul e Costa da Lagoa dos Patos. 

Pelo lote 11, a CPFL ofertou RAP de R$ 33,8 milhões, deságio de 38,5%. O aporte estimado é de R$ 348,9 milhões. Esse lote envolve 85,4 quilômetros de extensão em linhas de transmissão e 549 MVA de capacidade de transformação, com empreendimentos localizados no Rio Grande do Sul, destinados a integrar potencial eólico da região.  A Taesa levou o Lote 12, com oferta de R$ 58,9 milhões em receita anual (deságio de 38,8%). Com investimentos estimados em R$ 610,4 milhões, o Lote 12 envolve 587 quilômetros de extensão em linhas de transmissão, também destinados à integração do potencial eólico do Rio Grande do Sul. O Lote 13 ficou com a indiana Sterlite cuja oferta de receita anual foi de R$ 74,7 milhões e representou deságio de 38,9% em relação à receita máxima permitida. Com investimentos estimados em R$ 776,8 milhões, o Lote 13 envolve 316 quilômetros de extensão em linhas de transmissão e 1.544 MVA de capacidade de transformação, ligados ao potencial eólico do Rio Grande do Sul. Para o lote 14, arrematado pela Neoenergia, o deságio proposto foi de 39,9%, para uma receita anual de R$ 120,9 milhões. Com investimentos estimados em R$ 1,2 bilhão, o Lote 14 envolve 769,3 quilômetros de extensão em linhas de transmissão, com empreendimentos localizados no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. 


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