BC avalia tendência de inflação para definir Selic

Risco com expectativas de reformas pode influenciar decisão

Por Agência Brasil

redacao@amanha.com.br

Ilan Goldfajn, presidente do Banco Central

O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn (foto), afirmou que o Comitê de Política Monetária (Copom), responsável por definir a taxa básica de juros, a Selic, olha a tendência para a inflação e não a situação de curto prazo, que pode mudar muito rapidamente. Ele destacou que a retirada da frase que indicava a possibilidade de elevação gradual da Selic em comunicados do BC não foi um acidente ou esquecimento do Copom.

Segundo Goldfajn, o risco de inflação abaixo do esperado aumentou, devido à ociosidade da economia. Ele acrescentou que, por outro lado, há riscos de aumento da inflação relacionados à frustração das expectativas de reformas na economia brasileira e à possibilidade de deterioração do cenário externo para economias emergentes. Entretanto, ele citou que houve um “arrefecimento” do risco de não serem feitas reformas, como a da Previdência, porque o futuro governo tem “mandado sinais positivos sobre a vontade de fazer as reformas”.

Para o Copom, apesar disso, os riscos de alta da inflação permanecem relevantes e seguem com maior peso na análise de cenários. Por isso, Goldfajn considera que, apesar de menos intensa, permanece a assimetria no balanço de riscos para a inflação. Questionado se há espaço para queda da taxa Selic, atualmente, em 6,5% ao ano, Goldfajn disse que o BC precisa continuar a ter “cautela, perseverança e serenidade” em um cenário volátil.

Goldfajn afirmou ainda que as atuais intervenções do BC no mercado cambial são uma reação ao “fluxos sazonais de finais de ano”, com aumento de remessas de lucros e dividendos de empresas no Brasil para o exterior. “O ano foi lucrativo para as empresas. É uma mais uma questão sazonal para dar liquidez em momentos em que há uma pressão maior por questão de remessas”, explicou em entrevista. 


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