A receita de Lerner para criar cidades sustentáveis

Para ex-governador do Paraná, evitar grandes deslocamentos é fundamental

Por Laura D'Angelo

laura.cauduro@amanha.com.br

A receita de Lerner para criar cidades sustentáveis

“As cidades não são tão complexas”. A declaração do urbanista e ex-governador do Paraná, Jaime Lerner (foto), pode soar estranha para boa parte da população acostumada ao caos dos grandes centros urbanos brasileiros. Mas, na verdade, resume bem o ponto de vista do ex-prefeito que alçou Curitiba a referência nacional em planejamento urbano e qualidade de vida. Mesmo que as capitais pareçam se perder em um caminho sem volta com construções desenfreadas, vias engarrafadas e poucas áreas de lazer, Lerner acredita que é possível recuperá-las e transformá-las em um ambiente que integre de forma harmoniosa as necessidade de moradia, transporte, trabalho e lazer do seus habitantes.

Segundo Lerner, são três os principais problemas das cidades brasileiras atualmente: mobilidade, sustentabilidade e sociodiversidade [áreas de convivência para a população]. E as soluções para que um munícipio consiga se tornar sustentável também formam uma tríade. A primeira é reduzir a dependência do automóvel, garantindo boas alternativas de transporte público. A segunda é aproximar os locais de trabalho e de moradia, evitando, assim, os grandes deslocamentos. A separação de lixo e o menor desperdício dos recursos naturais seria o terceiro ponto. “Já passou o tempo dos ‘guetos’. A cidade tem de ser a integração entre vida pessoal, trabalho e comunidade. É assim que uma boa cidade funciona”, ensina Lerner, que esteve nesta quarta-feira (1º) na Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul), em Porto Alegre, para apresentar o projeto desenvolvido pelo seu escritório de arquitetura para o bairro sustentável Quartier, de Pelotas (RS).

Com a autoridade de quem foi prefeito de Curitiba por três mandatos, Lerner reconhece que a capital paranaense, assim como outras grandes cidades do país, tem perdido qualidade de vida, afetada principalmente pela precariedade do transporte público. “Mas não quer dizer que não se possa retomar, não é difícil”, afirma confiante. Para Lerner, mesmo pequenas ações pontuais – chamadas por ele de “acupunturas urbanas” – , são capazes de melhorar o ambiente urbano e criar uma energia favorável para que outros projetos aconteçam. Mas, apesar do otimismo, Lerner reconhece que os processos de planejamento nas cidades, no mundo inteiro, estão muito burocratizados, o que retarda a realização de mudanças positivas. “É preciso trabalhar com a cidade, não contra”, conclui.



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