Fim da reserva pode dobrar mercado livre de energia no Brasil

Para Medeiros, da Abraceel, ampliar a liberdade no setor é fundamental para o crescimento da produtividade industrial

Da Redação

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Reginaldo Medeiros, presidente da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia

A Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel) acaba de concluir um estudo onde recomenda a redução dos limites para a livre contratação de energia elétrica por parte dos consumidores. A medida permitiria beneficiar 6.300 consumidores no país, que representam 3 mil Megawatts médios (MWm), cerca de 5,2% do consumo do Sistema Interligado Nacional (SIN). Segundo o levantamento da entidade, a medida possibilitaria dobrar o número de consumidores livres no Brasil, que hoje somam 5.763 consumidores. “Em um ano, poderíamos fazer mais do que foi feito nas últimas duas décadas”, afirma Reginaldo Medeiros (foto), presidente da Abraceel. Desde 1995, havia previsão legal para a redução dos limites de acesso ao mercado livre, o que não ocorreu. Em 1998, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) previa a abertura total do mercado ainda em 2005.

Em ofício de dezembro deste ano endereçado ao Ministério de Minas e Energia, a Aneel conclui que a redução da barreira de entrada dos atuais 3 MW para 2 MW tem impacto tarifário insignificante. Segundo a agência, a medida poderia beneficiar 1.197 unidades consumidoras que ainda estão no mercado cativo e mais 706 consumidores especiais que seriam enquadrados como livres. De acordo com as simulações do órgão governamental, isso traria competitividade às empresas sem impactar nas tarifas do mercado cativo.

Já as simulações do estudo da Abraceel revelam que a redução poderia ser ampliada de 3 MW para 500 kW e tampouco impactaria as tarifas do mercado cativo. O mesmo levantamento demonstra que a eliminação da reserva de mercado também não afeta a competitividade das fontes incentivadas em condições normais de mercado.  “Fica evidente, portanto, como a decisão governamental é acertada e encerra um período longo de restrições”, conclui Medeiros. Desde janeiro de 2016 até hoje, o número de consumidores livres e especiais, registrados na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), triplicou. Em média, os consumidores do mercado livre de energia economizam 20% nas contas de luz. “Ampliar a liberdade no setor elétrico é fundamental para o crescimento da produtividade da indústria brasileira”, afirma Medeiros.

Fundada em 2000, a Abraceel defende a portabilidade da conta de luz para todos os consumidores e conta com 97 empresas participantes. Essas empresas são responsáveis por 91% do volume de energia negociado pelas comercializadoras. O mercado livre atualmente atende cerca de 5.763 consumidores livres e especiais, que estão entre os maiores do país e são responsáveis por aproximadamente 80% do consumo de energia da indústria no Brasil.


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