Saiba o que pode acontecer com a Grécia após referendo

Vitória do “não” fortaleceria Tsipras

Por Infomoney

Saiba o que pode acontecer com a Grécia após referendo

A Grécia iniciou a semana protagonizando o noticiário do mercado, com a saída da zona do euro parecendo cada vez mais próxima, após o país divulgar que realizará um referendo, o que azedou a negociação com os credores. O vice-primeiro-ministro grego Ioannis Dragasakis anunciou na televisão pública grega ERT que a Grécia pediu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para adiar o pagamento da parcela de cerca de 1,5 bilhão de euros que deviam ser pagos até esta terça-feira (30). “Entregamos um pedido ao Fundo Monetário Internacional para que tome a iniciativa de adiar o pagamento para o mês de novembro”, disse Dragasakis. O prazo para o pagamento está fixado para a meia-noite no horário de Bruxelas (19h em Brasília). Um adiamento permitiria à Grécia evitar o calote na dividia com o FMI, o que agravaria uma situação financeira já crítica. Com o pedido, a Grécia recorre a uma disposição prevista na carta do fundo que permite, a pedido de um Estado-membro e sem a necessidade de votação (pelos integrantes do FMI), adiar a data de um pagamento de três a cinco anos, que corresponde à duração dos seus empréstimos. O mecanismo foi usado duas vezes na história do FMI, em 1992, pela Nicarágua e pela Guiana.

Neste cenário de instabilidade, analistas e economistas traçam diversos cenários sobre o que pode acontecer. O banco Credit Suisse, em relatório chamado Narciso e Nemesis, em referência ao herói conhecido pela beleza e pelo orgulho e à deusa da vingança, respectivamente, traça três cenários sobre o país, avaliando que a chance de um Grexit [neologismo que se refere à retirada da Grécia da zona do euro] ainda parece improvável.

As possibilidades seriam as seguintes: caso A, com uma chance de 40% de algum controle de capitais; caso B, com um forte controle de capitais e o caso C, com uma chance de 20%, de um colapso total. A principal distinção entre o Caso A e Caso B é o "estado de espírito", pois ocorreu um problema e agora as partes procuram cooperar na limitação de danos ou será que relações se tornarão mais hostis? “O humor melhorará a partir de um nível de mau humor e as partes continuarão a cooperar como agora (Processo A) ou elas se tornam totalmente hostis (que é o caso C)”, julga o Credit Suisse.

Já a Reuters destacou cinco opções do que pode acontecer com a Grécia após o anúncio do referendo: i) a intervenção do presidente, renunciando ao cargo, o que suspenderia o referendo até que um novo presidente fosse eleito, levando a novas eleições nacionais; ii) baixa participação no referendo, o que levaria com que ele fosse engavetado; iii) vitória do "sim" aos termos do acordo, o que poderia levar à renúncia de Alexis Tsipras, já seria quase politicamente impossível implementar um programa ao qual o governo tem se oposto de maneira tão forte; iv) o "sim" ao acordo ganha, mas Tsipras pode tentar formar um governo de minoria e multipartidário para implantar o programa de resgate e v) a vitória do não no "referendo", que fortaleceria sua posição de negociação com credores, o que aceleraria a saída do euro.

Enquanto diversos cenários são traçados para o país, o portal americano CNBC destacou sete coisas que se precisa saber sobre a crise grega. Confira a seguir sete perguntas e respostas sobre o país:

1 - Quão ruim é o problema?
A Grécia deve cerca de 280 bilhões de euros aos credores internacionais, incluindo 242,8 bilhões de dólares a entidades públicas ou mistas, tais como o Fundo Monetário Internacional, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu. O país não tem o dinheiro para fazer o pagamento dos juros devidos esta semana e o fracasso em fazer um acordo para reestruturar e refinanciar as obrigações do país aumentam a perspectiva de um default. Os dois lados estão falando sobre um pacote de 18 bilhões de euros para refinanciar parte dessa dívida.

2 - Por que as conversações azedaram?
A chamada Troika, formada pelo FMI, BCE e Comissão Europeia estão à procura de uma combinação de cortes de gastos, atingindo pensões e segurança social, e aumentos de impostos. Contudo, o país já enfrenta problemas enormes na questão do recolhimento de impostos. E o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, apontando para a taxa de desemprego do país de 25,6%, argumenta que a Grécia não pode lidar com mais austeridade.

3 - O que o governo fez neste fim de semana?
O partido anti-austeridade Syriza propôs um referendo. A sigla espera que os eleitores apoiem seu impulso para obter um recuo dos credores em relação às propostas de austeridade. Ele também impôs os chamados controles de capital para interromper a fuga de dinheiro para fora do país e os bancos ficarão fechados por uma semana. Enquanto a maioria das transações internas é pouco afetada, há um limite diário de retirada de caixa de 60 euros. Além disso, as transações internacionais estão sujeitos a aprovação.

4 - Como isso afeta os mercados na Europa e os EUA?
Tanto os mercados europeus quanto os americanos estão registrando fortes baixas (assim como a Bovespa e outros mercados emergentes). Porém, segundo aponta a CNBC, para o S&P Capital IQ, o efeito pode ser de curta duração. O banco publicou uma análise histórica de 70 anos de choques passados de mercado, destacando que, em dias de forte baixa, foram encontrados eventos que levaram a uma baixa média de 2,4%, que foi recuperado em uma média de 14 dias de negociação. "A Grécia representa menos de 2% do PIB da União Europeia. Por si só, sua saída não vai derrubar a UE", argumenta o S&P Capital IQ.

5 - O que acontece se a Grécia sair do euro?
As estimativas de quão pouco dracmas gregos valerão com a saída do euro estão por todo o lugar, de 340 unidades monetárias gregas para o dólar norte-americano como 1.000 dracmas para um dólar. Mesmo antes da Grécia ser (ou não ser) forçada a deixar a união monetária, fala-se que o governo terá que cumprir as suas obrigações no chamado mercado de "moeda paralela '', cujo valor é altamente incerto.

6 - O programa de austeridade do FMI funcionou até agora?
Não. A austeridade tem sido a regra na Grécia desde que o primeiro programa de reestruturação da dívida foi aprovado em 2010. Mas a taxa de desemprego quase triplicou desde então, e o PIB do país caiu quase 30%. A Grécia cortou os gastos e os aumentos de impostos transformaram o "déficit primário" em superávit em 2010. Mas o programa foi o equivalente a puxar o freio da economia: atualmente o déficit primário está em 2% do PIB mesmo com controles sobre gastos.

7 - O que isso significa para o turismo grego?
A incerteza ofusca o turismo no país. E o risco de interromper a visita de turistas é alto. De fato, o turismo responde por 18% da economia do país e emprega um quarto dos seus trabalhadores, de acordo com a Associação de Empresas de Turismo local. A Grécia atrai até 17 milhões de visitantes anuais, o dobro da população. O turismo é praticamente a única indústria que continua a crescer em uma nação onde cerca de 59 empresas estão fechando a cada dia. Mas os visitantes estão relatando dificuldades em obter dinheiro, pois a moeda nos caixas automáticos está se esgotando. E se não bastasse isso, a ameaça de controles de capital faz com que alguns comerciantes não estejam dispostos a aceitar cartões de crédito. Ao longo do tempo, deixar o euro e desvalorizar a dracma, por outro lado, levaria a um período em que as férias gregas deveriam ser muito mais baratas para os turistas ocidentais – mas não se sabe por quanto tempo.


leia também

comentarios


Seja o primeiro a comentar a notícia!



Comentar

Adicione um comentário: