Max Verstappen, um cavalheiro

Não serão comitês disciplinares nem pilotos anódinos que o impedirão de ser campeão nos próximos anos

Por Fernando Dourado Filho, do Recife (PE)

Max Verstappen, um cavalheiro

O francês Esteban Ocon, piloto da Force India na Fórmula 1, faz plenamente jus ao nome que leva. Isso porque Ocon, se nos permitirmos desmembrar-lhe o sobrenome, dando-lhe o artigo em português e o adjetivo francês, resultaria em Esteban, o idiota. Pois como não acusá-lo de rematada imbecilidade pelo ocorrido ontem na pista de Interlagos? Como é que um retardatário, sem qualquer chance de pontuar, resolve endurecer o jogo diante do holandês Max Verstappen, da RedBull, que àquela altura tinha a vitória na mão? Para garantir alguns segundos de fama, o francês colidiu atabalhoadamente e frustrou o jovem holandês voador, que só chegou em segundo. Não sem antes, à hora da pesagem, dar um empurrão no gaulês paspalhão, o que foi muito pouco diante do desastre que acabara de viver. Como punição, pois, deverá cumprir dois dias de trabalho comunitário, o que quer que isso signifique para um piloto de Fórmula 1. 

Francamente, Max Vesrtappen já cometeu uma cota expressiva de erros. Com seu exímio talento e reconhecido desassombro, botou a perder corridas ganhas, o que não deixa de integrar a curva de aprendizado de todo ás. Mas ninguém nunca lhe questionou a genialidade e São Paulo tinha todos os elementos para lhe proporcionar um capítulo de rotunda consagração, na pisada que o levará mais cedo ou mais tarde a ser campeão do mundo na modalidade. Foi então que apareceu Ocon para empanar o brilho da festa. Impor, contudo, sanções ao holandês me parece um rematado descalabro. Isso porque o francês merecia no mínimo um direto no queixo, como se fazia nos tempos em que os homens não eram compelidos a agir como emasculados diante das candentes torpezas de adversários venais e desleais. Soberbo, Ocon ainda quis reduzir tudo a um mero incidente de corrida, sem reconhecer a culpa flagrante pela trapalhada, o que só agrava a perfídia.  

Detesto comitês disciplinares. Não tenho mais idade para alugar uma hora no divã de um psicanalista para saber de onde vem tamanha aversão ao que me parece a regulamentação do talento, o contingenciamento da genialidade e o enquadramento de desiguais. Dia desses foi a tenista Serena Williams que foi pesadamente sancionada no US Open por um juiz venal, português por acaso, o que levou-a a perder a temperança e o equilíbrio. Como é que se pode querer em pistas, campos ou quadras a explosão do talento que movimenta bilhões e, ao mesmo tempo, exigir conduta de querubim diante das torpezas alheias? Contrariamente ao sucedido ao piloto francês, Serena não fez jus ao nome ao perder o título para a tenista japonesa Naomi Osaka. Chorou, gritou, quebrou raquetes e botou para fora como pode sua iracunda indignação. Com um brinquedo de trabalho mais destrutivo na mão do que um raquete, Verstappen esperou o fim para uma leve desforra. 

Bola para frente, Max. Não serão comitês disciplinares nem pilotos anódinos que o impedirão de chegar lá nos próximos anos. O que ninguém diz é que a sanção à mediocridade é diária e recorrente. Ela acontece quando o sujeito se olha no espelho e, em silêncio, lê no próprio olhar que jamais saberá o que é figurar no alto da tabela ou subir no pódio da consagração. Da próxima vez, Max, acerte a pontaria e deixe-o no chão. O que ele fez, você hoje sabe, não se faz.  


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