Gerdau tem melhor resultado desde 2008

Empresa projeta cenários ainda mais positivos no Brasil e no exterior

Por Marcos Graciani

graciani@amanha.com.br

Gerdau tem melhor resultado desde 2008

Trimestre a trimestre, a Gerdau tem apresentado resultados cada vez melhores. Entre julho e setembro, por exemplo, a companhia alcançou receita líquida de R$ 12,8 bilhões, crescimento de 35% em comparação com o mesmo período de 2017. Essa expansão foi motivada principalmente pela melhoria dos mercados brasileiro e internacional e pelo efeito do câmbio na conversão de receitas para real. A geração de caixa operacional também evoluiu, passando para R$ 2 bilhões no terceiro trimestre, um aumento de 73% em relação ao mesmo período do ano anterior, o que representa o melhor desempenho trimestral da empresa dos últimos dez anos e, ao mesmo tempo, o terceiro maior valor histórico. Já o lucro líquido ajustado consolidado chegou a R$ 1 bilhão, mais de seis vezes superior ao resultado de R$ 145 milhões do terceiro trimestre de 2017 (veja os principais resultados na tabela ao final desta reportagem). 

E a depender das perspectivas da direção da Gerdau, como também dos analistas de mercado, a leva de boas notícias tende a aumentar – aqui e lá fora, mais propriamente nos Estados Unidos. Na visão do CEO Gustavo Werneck, ainda que a pressão dos custos de insumos deva seguir no próximo ano, há expectativa de crescimento econômico que será puxado pela recuperação da indústria, pelo início das obras de mobilidade urbana e pela gradual elevação dos lançamentos imobiliários e dos investimentos do setor de óleo e gás. “Há sinais positivos no Brasil, como a provável reforma da previdência, algo fundamental para a saúde fiscal do país, além da potencial retomada de obras de infraestrutura. Porém, também será preciso fazer a reforma tributária para criar um ambiente mais justo de competitividade”, projeta o presidente da maior empresa da região, segundo o ranking 500 MAIORES DO SUL, publicado por AMANHÃ, com apoio técnico da PwC.  Para exemplificar como o Custo Brasil pesa na operação da Gerdau, Werneck contou que o setor responsável por questões fiscais nos Estados Unidos tem sete profissionais, enquanto no Brasil o mesmo departamento é formado por um grupo de 122 pessoas. 

Já nos Estados Unidos, a capacidade instalada tem girado em torno de 80% e o índice pode aumentar com a continuidade do bom desempenho da economia a partir de janeiro. Quem corrobora com as estimativas da Gerdau é a XP Investimentos. Para Karel Luketic, analista-chefe da corretora, os Estados Unidos devem surpreender em termos de margens para a companhia. “Depois de anos patinando, com demanda em tom de recuperação e medidas protecionistas ajudando tanto no volume quanto no preço, vemos a margem da Gerdau nos Estados Unidos atingindo 7-8% em 2018-19, o que acreditamos ainda ser um índice conservador. Isso se compara com 5% em 2017”, avalia. Luketic também projeta um desempenho ainda melhor da relação da dívida com o Ebitda com o término do processo de venda de ativos. Prova do bom desempenho da siderúrgica nesse sentido é a atual relação da dívida com o Ebitda, que está em 2,2 vezes.  No início de 2013, pouco mais de um ano antes de a empresa começar o processo de venda de ativos, esse índice era de 3,2 vezes. “Vemos a Gerdau terminando o ano com dívida líquida/Ebitda entre 1,5-2 vezes, o que se compara com 3 vezes no final de 2017, ajudado por uma retomada dos resultados e venda de ativos. Isso permite que a Gerdau estude acelerar os dividendos a partir de 2019”, cogita. 

Informações selecionadas

3º Tri 18

3º Tri 17

Var. (%)

2º Tri 18

Var. ( %)

Vendas 
(Mil Toneladas)

3.698

3.865

(4,6)

3.834

(3,8)

Receita Líquida
(R$ Milhões)

12.836

9.476

35,5

12.035

6,7

Margem Ebitda ajustada  (%)

15,7

12,3

 

14,6

 

Lucro líquido ajustado
(R$ Milhões)

998

145

588,3

746

33,8


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