Côrte: “Mais do que estrutura, é preciso um ambiente que favoreça investimentos”

Na visão do VP executivo para o Sul na CNI, se governo promover o desenvolvimento, extinção do MDIC será pacífica

Por Marcos Graciani

graciani@amanha.com.br

Glauco José Côrte assume vice-presidência executiva para a região Sul da Confederação Nacional da Indústria

Glauco José Côrte (foto) assumiu na terça-feira (30) a vice-presidência executiva para a região Sul da Confederação Nacional da Indústria (CNI), na chapa liderada pelo empresário Robson Braga de Andrade. O mandato do ex-presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) se estende até 2022. Nesta entrevista ao Portal AMANHÃ, Côrte detalha suas funções em seu novo posto e opina sobre os recentes anúncios feitos pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), como a extinção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). Na opinião dele, mais importante do que o desenho da nova estrutura de governo, é que o poder público possa garantir um ambiente que favoreça investimentos e, por consequência, dê competitividade para a indústria. 

Qual será sua função como vice-presidente executivo para o Sul na CNI?
Os principais agentes de condução dos interesses da indústria continuam sendo os presidentes de federações. Os vice-presidentes executivos terão papel de apoiá-los e acompanhar os pleitos defendidos. O papel é ser um instrumento de facilitação e valorização do trabalho deles. Os grandes pleitos são conhecidos e convergentes, como fazer um grande trabalho de mobilização junto ao Congresso e Poder Executivo para ampliar os investimentos em infraestrutura de sistema de transportes. O suprimento do gás é outro pleito importante, pois no ano que vem termina o atual contrato de fornecimento com a Bolívia. Porém, a CNI tem tratado do assunto com antecedência para não ter interrupção do fornecimento para o setor industrial. Outra bandeira é a garantia da continuidade da formação técnica e profissional valorizando os cursos profissionalizantes. Enquanto em outros países, o número de estudantes do ensino médio em escolas técnicas chega a 50%, no Brasil não passa de 15%. Investimentos na saúde e segurança do trabalhador, passou a ser um assunto que esta na pauta atual, não de necessidades futuras, indústria 4.0 também está chegando, redução da taxa de natalidade, mais tempo no trabalho, treinados novamente, totalmente diferente daqueles quando ingressaram no setor industrial. 

O senhor está otimista com a agenda liberal que pode vigorar no mandato de Bolsonaro?
Essa sempre foi uma tese defendida pela indústria. O poder público, representado pelos três poderes clássicos e mais os órgãos de controle – que passaram a ter papel mais relevante – devem trabalhar para reduzir o Custo Brasil. Os gastos de uma empresa para cumprir exigências legais são altíssimos. E um dos problemas mais sérios é a chamada insegurança jurídica, pois há interpretações divergentes e alterações constantes na legislação que inibem investimentos. É preciso criar um ambiente que promova o desenvolvimento do capital externo e interno e o governo que trabalhe nessas frentes, o que redundaram na criação de novos postos de trabalho e reduzirá o desemprego, que é uma das principais chagas que deve ser superada no Brasil. 

O que lhe parece a prometida extinção do MDIC?
Nós da CNI tínhamos uma posição pública contrária sobre essa fusão pela importância da indústria da transformação no país. Ela representa mais de 20% da formação do PIB e quase um terço da arrecadação dos tributos federais e é responsável por 10 milhões de empregos. São razões que justificam ter um ministério próprio, tendo em vista o poder de transformação da indústria. Mas, se essa, de fato, for a decisão final, a indústria continuará trabalhando. Mais do que estrutura, é necessário um ambiente favorável aos investimentos, fator que se traduz em competitividade. É preciso oferecer segurança jurídica e governança como fatores de equilíbrio de promoção do desenvolvimento.

O senhor acredita que a tão aclamada reforma tributária será feita na próxima legislatura?
Este é outro tema bem recorrente. São assuntos urgentes, juntamente com a reforma da previdência, que devem ser enfrentados. Não temos ilusão que haja possibilidade de redução da carga tributaria no curto prazo, ainda que seja necessária para elevar a competitividade, mas se simplificarmos o sistema, já será um passo importante. Veja só: as empresas brasileiras desembolsam todo ano R$ 65 bilhões somente para cumpri r seus compromissos na área fiscal. São recursos que se perdem, pois não geram riqueza. Se conseguirmos reduzir isso no futuro, os recursos poderão ser utilizados em outras frentes.

Também há sinalização para uma maior abertura comercial a partir de janeiro. 
A indústria não é contra a abertura que o novo ministro da fazenda tem falado. Queremos ter condições para competir lá fora. Para tanto, é necessário assegurar que o Custo Brasil seja reduzido e que sejam eliminados tributos incidentes sobre as exportações. Desse modo, serão criadas condições isonômicas para produtos fabricados no Brasil e no exterior. Tendo essas condições, a indústria fica plenamente confortável para fazer parte dessa competição internacional. 


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