Campo Largo se prepara para ser cidade resiliente

Paraná é o estado em que mais municípios aderiram

Da Redação

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Wilson Batocchio Aparício, coordenador municipal de Defesa Civil de Campo Largo

Quatro anos depois de ser atingido por uma chuva de granizo que trouxe grandes prejuízos ao município, Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, se prepara para ser referência no Brasil da Campanha Mundial Construindo Cidades Resilientes, da Organização das Nações Unidas (ONU). A ideia é ter uma cidade preparada para se prevenir de desastres e se recuperar de forma eficiente de possíveis catástrofes. Seis cidades brasileiras foram selecionadas para se tornarem referência da campanha, e Campo Largo é a única na região Sul. 

Para atingir esse status, o município recebe orientação do Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres (Ceped). O órgão, ligado à Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil e à Universidade Estadual do Paraná (Unespar), é responsável pela adesão dos municípios paranaenses à iniciativa da ONU. O Brasil é o país com o maior número de cidades signatárias da campanha, e o Paraná é o Estado brasileiro em que, proporcionalmente, mais municípios fizeram a adesão – 321 das 399 cidades paranaenses manifestaram a intenção de se tornarem resilientes. A campanha Construindo Cidades Resilientes foi lançada em 2010 pelo Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR, da sigla em inglês). As prioridades a serem tomadas pelos governos para reduzir as vulnerabilidades e o risco de desastres estavam elencadas no Marco de Ação de Hyogo. Após a 3ª Conferência Mundial sobre a Redução do Risco de Desastres, que aconteceu em 2015, no Japão, e contou com a participação da Defesa Civil do Paraná, o documento foi substituído pelo Marco de Sendai, que ampliou as estratégias da campanha.

“A campanha abre possibilidades para que os municípios façam aquilo que sempre deveria ser feito, que é trabalhar com a redução do risco de desastres”, afirma o major Eduardo Gomes Pinheiro, diretor do Ceped. Além de mobilizar os municípios, o Ceped também reúne setores como universidades e institutos de pesquisa para apoiar as ações de Defesa Civil e trabalhar a gestão integrada do risco. “O nosso papel é dar o suporte para que os municípios desenvolvam a campanha. Fazer a adesão é importante, mas mais importante ainda é colocar isso em prática. Não é um trabalho rápido ou simples, pois exige uma mudança de postura e percepção dos gestores e de dedicação para que as coisas aconteçam”, reitera Pinheiro. 

Planejamento e integração são as palavras-chave para tornar Campo Largo uma cidade resiliente. Um grupo de trabalho foi formado, com a participação do Ceped e das 11 secretarias municipais, para mapear as vulnerabilidades e planejar as ações locais. “Temos um caminho muito longo que envolve a prefeitura, a iniciativa privada e a comunidade. É um trabalho permanente para a melhoria da condição do município”, explica Wilson Batocchio Aparício (foto), coordenador municipal de Defesa Civil. Incluir a resiliência no Plano Diretor do município e executar obras já preparadas para enfrentar possíveis desastres também são ações previstas pela prefeitura. A gestão também pretende tirar famílias de áreas de risco com a construção, com o apoio do Governo do Estado, de moradias populares. Como parte das ações, o Ceped também vai realizar oficinas e palestras para aprofundar e colocar o tema em prática. A ideia é replicar a experiência de Campo Largo em outras cidades paranaenses. “Por meio dessas mobilizações, temos condições de apoiar os municípios para que nossas cidades se tornem mais seguras e menos suscetíveis a eventos desastrosos”, afirma Pinheiro. 


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