Dólar e bolsa agora, na visão de especialistas

Ações de estatais devem apresentar um desempenho positivo

Da Redação

redacao@amanha.com.br

Ações de estatais devem apresentar um desempenho positivo – entre elas a paranaense Copel

O mercado repercute nesta segunda-feira (8) o desempenho de Jair Bolsonaro (PSL) no primeiro turno. Com a manutenção de seu favoritismo na disputa e a distribuição das cadeiras da Câmara, na qual a centro-direita chegou perto de 380 – o que joga a favor da governabilidade de Bolsonaro caso seja eleito, assim como na potencial aprovação das reformas – os agentes econômicos reagem positivamente. A cotação da moeda norte-americana encerrou o primeiro pregão da semana com forte queda, apontando recuo de 2,3%, cotado a R$ 3,7662 para venda. O valor é o menor desde 8 de agosto, quando chegou a R$ 3,7658. O Banco Central abriu a semana com os leilões tradicionais de swaps cambiais (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro), sem ofertas extraordinárias de venda futura do dólar. O índice B3, da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), fechou em alta de 4,5%, com 86.083 pontos, puxadas por uma valorização dos papéis da Petrobras que subiram 10,8%. O índice é a maior alta diária desde 2016.

Porém, como a bolsa e o dólar se comportarão a partir de agora? O portal AMANHÃ ouviu especialistas e recolheu opiniões sobre o tema. O JP Morgan avalia que o Ibovespa alcançará os 90 mil pontos rapidamente, o que representa um avanço de 9,3% em relação ao fechamento de sexta-feira (5). Na visão do banco, ações de estatais devem apresentar um desempenho positivo – entre elas a paranaense Copel (foto). Em relação aos cenários para a moeda norte-americana, o JP Morgan estima que a divisa possa ir até R$ 3,80, uma queda de 1,5%.

Robério Costa, economista-chefe do Grupo Confidence, avalia que é um momento especialmente delicado para fazer projeções para o câmbio, sobretudo durante a fase de definição até o segundo turno. Na possibilidade de Bolsonaro assumir a liderança imediata das pesquisas, retirando a incerteza do resultado, é mais provável que o dólar caia, podendo voltar ao patamar de R$ 3,40.  “O mercado vê no candidato a possibilidade da continuação da política macroeconômica com o ambiente propício para aprovar reformas constitucionais, principalmente a da previdência”, entende Costa. Porém, caso as próximas semanas apontem para a virada de Haddad sobre Bolsonaro, a volatilidade deve se elevar e o câmbio pode voltar a ficar acima dos R$ 4, podendo superar o recorde dos R$ 4,20. “Em meio a esses dois cenários, várias combinações podem ser imaginadas. Nenhum desses movimentos de curto prazo, no entanto, é determinante para o dólar ao longo do próximo ano. Muito mais importante será o fluxo de capitais estrangeiros nesse horizonte, que depende do interesse dos investidores externos no Brasil e das condições da economia global”, sintetiza Costa. 

Nicolas Takeo, analista da corretora Socopa, também prevê que o Ibovespa possa alcançar 91 mil pontos no curto prazo. “Os estrangeiros estão desalocados em [papéis do] Brasil, assim a vitória de um candidato mais alinhado com o mercado pode abrir caminho para os investidores recomporem posições em ações de risco doméstico”, opina Takeo. Para a corretora XP, “a bolsa será um dos ativos mais atrativos no Brasil (seguido pela curva longa e por último o dólar), seja pelo desconto que a bolsa negocia em relação ao seu histórico, pela potencial revisão positiva de lucro para os próximos anos ou pela alocação baixa a bolsa no Brasil vis a vis o histórico”. Ainda segundo a XP, vários segmentos poderão se beneficiar com a presidência exercida por Bolsonaro. “Entre eles, Cemig; bancos, como Banco do Brasil e Bradesco; Petrobras; companhias áreas, como a Gol; empresas ligadas ao consumo, como Localiza, B2W e Lojas Americanas; além do segmento de aço, com Usiminas em foco”, lista a corretora.  

De acordo com a Guide Investimentos, o risco Brasil medido pelo CDS de 5 anos cai 2,6%, abaixo dos 240 pontos. “Os ETFs de Brasil disparam mais de 6% na Europa, refletindo a força de Jair Bolsonaro, bem como a boa construção de uma base parlamentar por parte de seu partido, o PSL. O dia deve ser bastante positivo para os mercados de ações, juros e o câmbio deve continuar a tendência de apreciação, apesar do movimento global de aversão ao risco”, avalia Luis Gustavo Pereira, estrategista da Guide. 


leia também

A gigante da energia paranaense - Como a Copel usou a engenharia para vencer os limites estaduais

A mudança no comportamento do eleitor está por vir - Candice Pascoal explica os efeitos do crowfunding na política brasileira

Ampliação da vantagem de Bolsonaro faz dólar recuar - Bolsa fecha a terça em alta com publicação de pesquisas

Antonio Guetter é o novo presidente da Copel - Funcionário de carreira, executivo dirigia a Copel Distribuição

Banco Central atua e dólar fecha o dia cotado a R$ 4,14 - Ação conteve a disparada da moeda que superou R$ 4,20

BC ofertará dólares de reservas para segurar alta da moeda - A cotação está sendo influenciada pela turbulência do mercado financeiro

comentarios


Seja o primeiro a comentar a notícia!



Comentar

Adicione um comentário: