A moeda é digital, mas o atendimento é olho no olho

Grupo do Paraná abre agência para captar e orientar investidores em criptomoedas

Por Marisa Valério, de Curitiba (PR)

marisa.valerio@amanha.com.br

Heloísa Ceni, vice-presidente do Grupo Bitcoin Banco

O mundo cripto já não é cem por cento digital para os clientes do Grupo Bitcoin Banco, que nasceu em Curitiba no ano passado e nesta semana inaugurou em São Paulo, onde pulsa o coração financeiro do país, uma agência física para captar e atender investidores. É a primeira agência do gênero na cidade e a segunda do grupo, que há cinco meses iniciou na capital paranaense a experiência olho no olho para traduzir o emaranhado tecnológico que faz das moedas digitais um reduto ainda para poucos. 

Com 200 metros quadrados, no bairro Itaim Bibi, a agência paulista foi projetada para bem receber e oferece pequenos mimos como ser “pet friendly” e dispor de uma poltrona de balanço num ambiente que lembra um jardim. “Por que um banco tem um balanço, é cheio de verde e recebe pets? Pra que um banco de criptomoedas e, se elas são virtuais, por que o atendimento é presencial? Ouço essas perguntas com muita frequência, e a resposta para todas elas é: porque o futuro é feito de pessoas, e nós do Grupo Bitcoin Banco também”, diz a vice-presidente da empresa, Heloísa Ceni (foto).

A equipe de dez pessoas incorpora profissionais de longa passagem pelo mercado financeiro tradicional. E está treinada para oferecer negócios para um público de menor intimidade com a tecnologia, um pessoal desconfiado que deseja atendimento personalizado e presencial. A agência tem atraído, segundo a executiva, um cliente bem diferente dos jovens traders que operam nas 32 exchanges existentes no Brasil – inclusive na Negocie Coins, que pertence ao grupo. “Cerca de 20% de nossos investidores são mulheres e 11% têm mais de 60 anos. Nosso primeiro cliente em São Paulo tem 67 anos. Já nas exchanges, 90% dos clientes têm até 35 anos e apenas 8% são mulheres.”

O Bitcoin Banco oferece quatro tipos de negócios: empréstimo por 90 ou 180 dias, com ou sem possibilidade de trade. Em todos eles o cliente “empresta” seus bitcoins para a empresa, que oferece uma compensação de 1% ao mês com base no valor investido. Um novo produto está sendo lançado, por meio da plataforma Le Rêve (o sonho, em francês), desenvolvida pelo grupo. O investidor escolhe um objeto de seu desejo e deposita o valor necessário em bitcoins por 12 meses. Ao fim desse período, ele recupera suas criptomoedas com a cotação atualizada, caso ela tenha se valorizado. O valor não sofrerá qualquer desconto, nem de eventual variação negativa da criptomoeda, nem do objeto recebido como forma de antecipação da compensação.

Além do Bitcoin Banco e de outros negócios, também integra o Grupo a exchange NegocieCoins, que possui o maior volume de movimentação entre as corretoras brasileiras de moedas digitais. Ao todo, foram movimentados mais de R$ 3,6 bilhões em mais de 670 mil transações realizadas entre janeiro e junho deste ano. Esse número corresponde a cerca de 40% do market share nas transações de criptomoedas no Brasil. A plataforma da corretora oferece ferramentas de compliance e de segurança de dados. Recentemente, a NegocieCoins anunciou a contratação da Müller & Prei Auditores, responsável pelas auditorias fiscal, trabalhista e previdenciária, numa iniciativa inédita em seu segmento de atuação. A corretora permite a compra e venda de Bitcoin, Bitcoin Cash e Gold, Litecoin e Dashcoin em diversos formatos. 

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Roupa digital e loja real
Outra iniciativa juntou nesta semana o mundo real e o virtual na experiência de consumo do cliente: o ParkShopping Barigüi inaugurou uma loja – ou “guide shop” – da marca digital de roupas Amaro. É a segunda em Curitiba. A primeira está no shopping Pátio Batel. O modelo permite que o cliente conheça e até experimente a coleção da marca antes de fazer sua compra pelo site e receber o produto em casa. O projeto é inspirado em um símbolo da cidade, o Museu Oscar Niemeyer (MON). “Os guide shops são uma entrada no universo da Amaro e, com a maturidade da marca, nós entendemos que as clientes querem ter experiências cada vez mais únicas no varejo físico, que vão além de uma transação de compra”, explica o CEO Dominique Oliver.

Dourada inova no câmbio
A Dourada Corretora comemora o cinquentenário com o lançamento da plataforma TransferHub, uma inovação que promete oferecer câmbio de importação, exportação e remessas financeiras até cem mil dólares por contrato com cotações que os bancos garantem para operações milionárias. “É a estreia da economia colaborativa no mercado de câmbio. Boa parte dos custos cambiais surge quando as instituições não têm o comprador e o vendedor operando ao mesmo tempo. Construímos uma ferramenta que abre o mercado de câmbio através de um sistema eletrônico de ofertas entre compradores e vendedores, para permitir que empresas importadoras e exportadoras tenham um custo cambial em média cinco vezes mais barato e pessoas físicas que fazem remessas internacionais economizem em média dez vezes em relação ao que gastam hoje nos seus bancos tradicionais”, explica Rafael Mellem, diretor comercial da Dourada e fundador da TransferHub.

Fresca, mas sem frescura
A rede de comida japonesa WikiMaki há nove anos se propõe a oferecer comida fresca mas sem frescura. Com essa fórmula, a marca curitibana caminha para abrir mais 20 unidades e faturar R$ 50 milhões até 2020. Em 2017, com quatro lojas próprias e três franqueadas, o faturamento alcançou os R$ 20 milhões. A expansão prevê abrir lojas no interior do Paraná, no litoral de Santa Catarina e na cidade de São Paulo.



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