Déficit do governo quase dobra em agosto

Fundo eleitoral e divisão de receitas explica resultado

Por Agência Brasil

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Déficit do governo quase dobra em agosto

A transferência de recursos para estados e municípios e os gastos com as eleições fizeram o déficit primário do Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) quase dobrar em agosto. Segundo números divulgados pelo Tesouro Nacional, o resultado ficou negativo em R$ 19,733 bilhões em agosto, valor 95,2% maior que o registrado no mesmo mês do ano passado (R$ 10,111 bilhões).

O déficit primário representa o resultado negativo nas contas do governo desconsiderando o pagamento dos juros da dívida pública. O resultado de agosto foi o segundo pior para o mês desde o início da série histórica, em 1997, só perdendo para agosto de 2016, quando o déficit chegou a R$ 20,302 bilhões. De janeiro a agosto, o déficit acumulado chega a R$ 58,557 bilhões, queda de 32,5% em relação ao mesmo período de 2017. Mesmo com a alta mensal em agosto, esse é o melhor resultado acumulado para os oito primeiros meses do ano desde 2015.

De acordo com o Tesouro Nacional, dois fatores contribuíram para o aumento do déficit em agosto. O primeiro foi a elevação da repartição de receitas com estados e municípios, que subiu 18,9% acima da inflação em agosto deste ano na comparação com o mesmo mês do ano passado. Isso ocorreu porque a arrecadação de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) subiu em julho, o que provocou uma repartição maior de recursos com os governos locais no mês seguinte. O segundo fator que contribuiu para a alta do déficit foi a execução de R$ 1,7 bilhão do Fundo Eleitoral, que distribui dinheiro para os partidos. Como esse gasto não ocorreu em 2017, os gastos totais acumularam alta de 5,9% acima da inflação em agosto em relação ao mesmo mês do ano passado.


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