Aprendendo marketing com Anitta

Preciosas lições gerenciais da cantora carioca

Por André D´Angelo

Aprendendo marketing com Anitta

"Você não gosta de mim, mas sua filha gosta", cantava Chico Buarque nos anos 1970, numa indireta a um oficial do DOPS que, ao encaminhá-lo para a delegacia, pediu um autógrafo em nome da filha. 

Hoje, tal a velocidade da mudança de preferências musicais entre os jovens, é possível que um profissional de marketing de meia-idade pegue-se na situação contrária: seus filhos ou filhas talvez não se interessem mais pela funkeira carioca Anitta, mas ele, por dever de ofício, declare-se fã da cantora.

O motivo? Algumas revelações de Anitta a respeito da forma como conduz sua carreira na seara empresarial. Ela, que tem diploma técnico em administração, mostra-se uma atilada gestora de marketing, como bem atestam, aliás, os números superlativos de sua trajetória.

Em palestra num evento de recursos humanos, em São Paulo, Anitta foi direta ao ponto: os gestores deveriam “ouvir menos o que é dito em reuniões” e passar “mais tempo nas ruas, no metrô e nas festas”. Em resumo, “onde seu público estiver”.  

A justificativa? “Quase nunca o que eu via na rua era o que ouvia nas reuniões, porque as pessoas dizem ali dentro o que é interessante para elas”, afirmou. “Você tem que ser inteligente para filtrar essas informações”, concluiu (Folha de S. Paulo, 16/08/18).

Duplo acerto. O primeiro: a sofisticação do management ofereceu aos executivos muitos dados e informações em tempo real sobre tudo o que acontece em suas organizações e no mundo. Mas retirou-lhes parte da espontaneidade e da intuição ao afastá-los das ruas, dos shoppings, dos ambientes públicos – ou seja, da vida real –, e confiná-los em escritórios. Grandes gestores, especialmente no varejo e nos serviços, nunca abandonam o hábito de visitar lojas ou circular por aí – vide José Galló, das lojas Renner. Anitta, pelo visto, também.

Segundo acerto da funkeira: empresas, especialmente as grandes, são palcos de disputas entre setores e profissionais. Neles, nem sempre o interesse da organização vem em primeiro lugar. Benefícios para si e para suas respectivas áreas é o que move boa parte do pessoal que faz parte das grandes reuniões corporativas. Gestores que se guiam unicamente pelo que ouvem nesses encontros podem ter uma visão distorcida da realidade.

Seguir o próprio instinto unicamente seria a dica de ouro de Anitta? Não exatamente. Boas decisões precisam de vozes externas também: “Converso com outras pessoas para saber se não estou viajando”, reconheceu ela. Se amigos, parentes e subordinados têm liberdade de contrariar a estrela sem serem repreendidos, perfeito: trata-se de uma bela forma de preservar o espírito crítico.

Ah, sim, e o que a cantora acha das famigeradas reuniões de equipe? “Vamos ser práticos, ninguém precisa de tanto protocolo para fazer as coisas”, declarou, em consonância com o espírito startup dos nossos tempos.

Anitta, no marketing e nos palcos, é a legítima poderosa.


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