Uma visita a Lake Forest

Pensei por um momento nos professores que marcaram minha vida

Por Fernando Dourado Filho, de Chicago (EUA)

Lake Forest Academy, ao norte de Chicago

Domingo à tarde resolvi aproveitar o lindo céu de fim de verão para dirigir trinta milhas até um subúrbio ao Norte de Chicago. E isso tinha uma razão toda especial de ser. Mais do que para ver os chalés centenários quer afloram dos bosques de Highland Park, movia-me a vontade de prestar uma homenagem ao velho amigo Luiz Felipe d´Avila, agora empenhado no maior embate eleitoral de sua profícua vida. Ora, se hoje as referências do cientista político estão muito ancoradas em Harvard, nem sempre foi assim. Isso porque o grande empurrão motivacional que recebeu da vida, aconteceu na Lake Forest Academy, quando ainda estava na faixa dos 18 anos e não se achava de todo alinhado com suas vocações e preferências. 

Em longo depoimento que me deu no começo do ano, foi comovente perceber o quanto essa experiência teve um caráter transcendente, que foi muito para além das paisagens idílicas e da liberdade que nos faculta uma vida independente. Chegando à Lake Forest Academy, não resisti a consultar minhas anotações e, ali mesmo, tomando um chá diante da sede, li o que o próprio Felipe disse a respeito: "Cheguei lá em janeiro de 1981. Foi a escola que transformou a minha vida. Tive grandes professores que estimularam a minha verve intelectual muito além do mundo acadêmico. Carla Sullwold era professora de história da arte e literatura, mas também me estimulou a fazer peças de teatro e a organizar uma Semana de Mozart na escola".

Interrompi a leitura. Advertido pelo segurança de que não podia estacionar ali, mesmo sendo domingo, procurei lugar mais adequado para fazer umas fotografias e mandá-las para ele pelo WhatsApp. Na verdade, não sei há quanto tempo não volta aqui, mas imagino que não deva ter havido grandes mudanças de paisagem de então até hoje. Em outro trecho sobre sua trajetória, ele diz: "O professor Allen era um extraordinário acadêmico que ensinava História dos Estados Unidos e gostava de tocar órgão. Havia também Ernie Barrie, professor de espanhol e técnico de atletismo, esporte em que eu competia pela escola em arremesso de disco e de peso, e nas provas de revezamento de 100 e 200 metros rasos. Competia também nos times de futebol e natação da escola". 

Pensei por um momento nos professores que marcaram minha vida. E naquele ambiente, varri da mente o trio que me fez ter ojeriza a matemática, e ri ao pensar nos frutos tortos que colhi de uma tirânica professora de biologia, graças a quem aprendi muito. Então, Felipe conclui: "Foi um período muito marcante e feliz.  Me tornei um dos alunos de maior destaque tanto na parte acadêmica, como nos esportes, nas artes e também, na vida social. Recebi o Primorde Award, que era o Prêmio mais importante concedido ao aluno que se formava na escola". Daí em diante, a trajetória de Felipe se reorientou e hoje o temos à frente da formulação de um plano de governo de notável contendor ao pleito presidencial. Saber dar aula é até hoje um dos pontos cardeais de sua pregação. Lendo-o, dá para entender as razões. 

Feliz, voltei para Chicago quando a escuridão já engolia os subúrbios do Norte. 


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