Quer comprar dólar? É melhor aguardar

Moeda norte-americana poderá cair mais, aposta o analista José Faria Júnior

Por Infomoney

Quer comprar dólar? É melhor aguardar

O dólar comercial iniciou a semana a R$ 3,08 (-0,6%), ainda sofrendo os impactos da expectativa de que o banco central norte-americano aja de forma gradual ao elevar os juros compensando a sinalização de que o BC brasileiro deva reduzir ainda mais o ritmo de intervenção no câmbio. Para o diretor de câmbio da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, o movimento abre um cenário de compra muito mais interessante, embora veja motivos para aguardar um pouco mais antes de aumentar as apostas.

"Quem precisa de proteção cambial deve fazer as contas e começar a se proteger. Afinal, há riscos no horizonte", comenta, lembrando ainda que não dá para descartar a volatilidade no cenário interno. "Vamos aguardar, mas as notícias são de que o governo pode não ter sucesso com relação à redução da desoneração da folha e no mecanismo de substituição do fator previdenciário", alerta. Para ele, a reunião do Fomc (Federal Open Market Committee) deu força para o dólar enfraquecer. A ausência de qualquer sinalização por parte do Fed de que está prestes a subir os juros esfriou a expectativa de normalização da política monetária no país ocorrerá no curto prazo. Segundo ele, a presidente do Fed, Janet Yellen, deve continuar telegrafando para o mercado que a alta de juros será gradual e não contínua. O mercado, inclusive, trabalha com o início do aumento dos juros na reunião de setembro.    

O dólar pode cair ainda mais?
Para Faria Júnior, esse cenário é provável. Ou seja, para quem quer elevar as compras, uma estratégia interessante pode ser aguardar um pouco mais. Há dois motivos para isso. O primeiro seria uma aposta em relativa estabilidade da moeda perto de R$ 3,05, que é uma linha de “stop” da tendência de médio prazo. "Quando mais tempo nessa região, mais barata as compras futuras", explica. Ele destaca ainda que houve uma redução nos contratos comprados de dólar pelos estrangeiros na BM&F, que atingiram US$ 32,8 bilhões na quinta-feira (18) – o menor volume desde 28 de janeiro.

Um segundo ponto que Faria Junior ressalta é a possibilidade da moeda cair em direção a região dos R$ 3. "É um cenário mais difícil, mas não improvável", argumenta. Isso porque a queda do dollar index, que mede a variação do dólar contra uma cesta de moedas, está profunda e retornando para o nível quando o dólar ante o real atingiu R$ 2,90. Pelo modelo utilizado pelo analista, há possibilidade de cair na direção de R$ 2,95. No entanto, para isso, será necessário que outras moedas de commodities também se apreciem. "É um cenário possível. Mas temos de aguardar para ver se essa possibilidade se viabiliza", diz.   


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