Modelo desenvolvido pela Unium é exemplo para as cooperativas brasileiras

Case da união entre Frísia, Castrolanda e Capal foi apresentado no Fórum de Agricultura da América do Sul, em Curitiba

Da Redação

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Modelo desenvolvido pela Unium é exemplo para as cooperativas brasileiras

A programação do 6º Fórum de Agricultura da América do Sul, em Curitiba, teve início, nesta sexta-feira (24), com o painel “Cooperativismo – surge uma nova economia: a economia da cooperação” (foto), com a participação dos presidentes da Castrolanda, Frans Borg; da Capal, Erik Bosch; do superintendente da Frísia, Emerson Moura, tendo como mediador o superintendente do Sistema OCB, Renato Nobile. Os dirigentes cooperativistas relataram os desafios e conquistas do modelo de intercooperação implantado pelas três cooperativas na região dos Campos Gerais do Paraná.

Em 2017, em nova fase do processo de intercooperação, as cooperativas Frísia, Castrolanda e Capal lançaram a Unium, marca institucional para os projetos em que atuam em parceria. As marcas reunidas pela Unium são Alegra (Carnes), três marcas de lácteos: Naturalle (de produtos livres de aditivos), Colônia Holandesa e Colaso. No setor de grãos, a Unium conta com a marca Herança. Juntas, as três cooperativas que uniram forças na marca Unium, congregam 5 mil famílias de cooperados, com um faturamento anual superior a R$ 7 bilhões. “O modelo desenvolvido pela Frísia, Castrolanda e Capal é um exemplo para as cooperativas brasileiras. São boas práticas que nos inspiram e imaginamos os desafios internos que foram superados por dirigentes e cooperados, o trabalho de convencimento, engajamento e também de desapego para que a união de propósitos se concretizasse”, destacou Renato Nobili, superintendente da OCB.

Segundo Frans Borg, a intercooperação está nos princípios do cooperativismo e há várias formas de implantá-la. “Quando começamos a investir em industrialização, buscando agregar valor à produção dos cooperados, percebemos que seria loucura cada cooperativa construir sua própria cadeia industrial, pois iríamos ser concorrentes no mercado”, relatou. “Os produtores são a razão de ser do cooperativismo e a necessidade deles é igual nas três cooperativas, por que então não construir algo em conjunto”, questionou. “O segredo é pensar em longo e médio prazo. Se pensar em curto prazo, a intercooperação não acontece”, ressaltou.

Na opinião de Erik Bosch, embora a sinergia entre as cooperativas tenha ocorrido no passado, quando as três atuaram juntas numa central cooperativa, o que explica o sucesso do projeto de intercooperação da Unium é a sustentabilidade dos negócios. “Percebemos que precisávamos voltar a atuar em conjunto, mas por meio de um modelo em que os produtores são os donos do negócio e têm um sentimento de pertencimento do projeto do qual participam. Nesse modelo, a palavra-chave é confiança, transparência e comunicação entre os parceiros”, analisou. 

Para Emerson Moura, para começar a pensar num projeto de intercooperação, é preciso quebrar paradigmas e preconceitos. “São os muitos os desafios para implantar uma ação em parceria entre cooperativas. Não se pode ficar dizendo que o processo é difícil e inviável. É necessário avançar de forma transparente nas discussões do modelo próprio para cada realidade. Outro aspecto é a disposição em discutir sobre as decisões de forma transparente e acatá-las quando determinadas e aprovadas”, afirmou. “Quando se superam os desafios de comunicação, são abertas portas para outros processos operacionais e negócios, envolvendo todas as áreas das cooperativas. No nosso caso, um exemplo são os negócios de compra de matérias-primas para as fábricas de ração”, ressaltou.

A Unium em números
- Mais de R$ 7 bilhões em faturamento anual
- Mais de R$ 800 milhões em investimentos
- Exportação para 25 países
- 5 mil famílias de cooperados
- 5 unidades industriais em Ponta Grossa e Castro (PR) e Itapetininga (SP)
- 3 milhões de litros de leite processados diariamente
- 115 mil toneladas de grãos moídos por ano
- 3,2 mil suínos por dia e 1,8 mil toneladas de carne industrializadas por mês


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