Agronegócio está no radar das startups catarinenses

Iniciativa de SC é a única apoiada pelo Bird na América Latina

Da Redação

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Coordenador setorial para Desenvolvimento Sustentável do Banco Mundial (Bird), Paul Procee

Santa Catarina aceitou o desafio do Banco Mundial (Bird) e implantará um projeto inovador para aproximar startups e agricultura familiar. O Estado, conhecido pela diversidade do agronegócio, quer agora levar soluções tecnológicas para aumentar a produtividade no meio rural. O Núcleo de Inovação Tecnológica para Agricultura Familiar (Nita) foi criado para integrar esses dois setores tão distintos, conectando as demandas do agronegócio às soluções tecnológicas já disponíveis no mercado.  Por essa razão, o Núcleo promoveu nesta quinta-feira (23), em Florianópolis, um encontro para estreitar os vínculos entre empresas de tecnologia e representantes das cadeias produtivas.

O Nita faz parte de um grupo seleto de iniciativas para aproximar tecnologia e agricultores. O Banco Mundial apoia apenas oito projetos como esse no mundo e o Estado é o único representante da América Latina nessa lista, tornando-referência para outros estados e países. De acordo com o coordenador setorial para Desenvolvimento Sustentável do Banco Mundial, Paul Procee (foto), a escolha de Santa Catarina não foi por acaso. “O Banco Mundial decidiu investir em Santa Catarina porque este é um estado inspirador. E a intenção é criar vínculos onde a inovação aconteça, fazendo com que os agricultores se tornem empreendedores dentro de um ecossistema de negócios, como já existem com outros setores da economia”, ressalta. Segundo Procee, no entanto, a inovação só acontece quando as startups e os agricultores começam a trabalhar juntos. E era justamente isso que faltava no Estado. 

O principal desafio agora é buscar recursos financeiros para fomentar as inovações voltadas para agricultura familiar – inclusive fora do país. “Muitos investidores internacionais buscam oportunidades para investir no Brasil e o Nita se torna uma opção interessante porque traz um avanço enorme não só para a agricultura, mas também para a indústria e para o setor de inovação”, explica Procee. De acordo com o secretário adjunto da Agricultura e da Pesca, Athos de Almeida Lopes Filho, os parceiros do Nita devem se unir e criar propostas para que o governo catarinense possa destinar recursos que possam alavancar a inovação no meio rural. “Temos todo interesse em apoiar projetos certeiros, que façam a diferença no agronegócio catarinense, podemos pensar em mecanismos para otimizar os recursos públicos”, avalia Lopes Filho. 

O Núcleo de Inovação funciona como um elo entre startups, pequenas e médias empresas desenvolvedoras de inovações e as cadeias produtivas organizadas dos agricultores. Hoje são 34 empresas cadastradas, que já fazem negócios com agricultores e empresas catarinenses, além de algumas parcerias internacionais. “Percebemos que a inovação não chegava até os agricultores familiares, que eles não conseguiam absorver as tecnologias da mesma forma que os grandes produtores. Eram dois mundos separados e que agora conseguem pensar juntos em soluções para continuidade da agricultura familiar, dando mais competitividade ao agronegócio catarinense”, destaca Julio Bodanese, secretário executivo do Nita. “Uma startup nova e que trabalha com agronegócio tem dificuldades de chegar ao produtor. O contato com os agricultores é fundamental para desenvolver um bom trabalho. Conseguimos criar contatos que permitiram que a empresa siga seu trabalho com o apoio do Nita”, relata Lucas Feliciano, fundador da empresa de tecnologia Comando. 


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