Dólar fecha a R$ 4, maior valor desde fevereiro de 2016

Mercado teme candidatos menos comprometidos com reformas

Da Redação, com Agência Brasil

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Dólar chega a valer quase R$ 4 após pesquisas eleitorais

O dólar norte-americana atingiu, no fechamento desta segunda-feira (21), o valor de R$ 4,049, mais alta cotação 18 de fevereiro de 2016. A alta de 2% nesta terça-feira foi a quinta consecutiva, com o dólar acumulando valorização de 4,4% no período. O índice B3, da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), encerrou o pregão em baixa de 1,5%, com 75.180 pontos, representando o menor patamar desde 11 de julho. Os papéis de grandes empresas contribuíram para a queda, com as ações da Petrobras caindo 3,5%, e as do Itaú, 1,2%. Segundo consultores ouvidos pela agência de notícias espanhola EFE, desde 13 de agosto, o dólar teve valorização de 3,6%. A desvalorização do real coincidiu com a divulgação de novas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República na segunda-feira (20) e com a indefinição do cenário político a dois meses do pleito. Os investidores temem a liderança de candidatos considerados menos comprometido com as reformas fiscais. 

Nesse contexto, em cenário sem Lula, as pesquisas divulgadas  na segunda-feira pela CNT/MDA e pelo Ibope trouxeram Jair Bolsonaro na liderança, com cerca de 20% dos eleitores, seguido por Marina Silva (11%), Ciro Gomes (8,4%), Geraldo Alckmin (6,7%) e Fernando Haddad (5,3%). No cenário com Lula, onde o ex-presidente é imbatível, há evidencias do potencial de Haddad, cujo número de eleitores já cresce rápido. As pesquisas divulgadas chamam atenção do investidor estrangeiro, tendo em vista a fragmentação da corrida eleitoral. “Existe o candidato com maior índice de condição de voto no cenário sem o Lula e isso mostra a grande fragmentação da competição pelo Planalto. Com isso, o mercado financeiro mostra volatilidade acentuada até a data das eleições, mapeando essas pesquisas, que são inconclusivas da percepção de qual será a política econômica adotada”, explica Fernando Bergallo, diretor de câmbio da FB Capital. “Em resumo, os últimos dados eleitorais não favoreceram o candidato reformista Geraldo Alckmin. Dessa maneira, o preço da moeda norte-americana subiu para R$ 3,95, em alta de 1,1%, assim como a curva de juros futuros, refletindo a maior pressão sobre os gastos públicos no próximo mandato”, ressalta Daniel Xavier, economista-chefe da DMI Group. 

“Normalmente as pesquisas eleitorais são as grandes responsáveis pela montanha russa que ocorre com o preço dos ativos. Nesse período de incertezas, muitas vezes elas acabam por criar tempestade, quando deveriam nortear as decisões de investimentos”, explica o economista Pedro Coelho Afonso. O candidato na liderança da pesquisa revela um cenário ainda mais turbulento para a bolsa, pois sua visão de economia e reformas necessárias para o país ainda são nebulosas, não existe uma proposta definida e nem grandes alianças que ajudariam suas ideias a progredirem. “Mesmo com as pesquisas anteriores e até a presente realizada não temos ao certo um candidato realmente forte Esse cenário desfavorece a estabilidade do mercado, pois gera muita insegurança para a economia e no olhar dos mercados externos que são grandes investidores do Brasil”, afirma Daniela Casabona, assessora financeira da FB Wealth. 

Os negócios não estão sendo decididos pela tendência externa, como ocorre em muitas ocasiões. Ao contrário, o dólar está em alta de quase 20 pontos percentuais no ano. Os agentes financeiros ainda estão colocando nos preços o aumento da probabilidade de um segundo turno com a presença de Haddad. “Os juros seguiram essa tendência e os futuros estão com alta de 15 pontos. A nova esticada da curva longa sinaliza o aumento da percepção de risco, que saiu de 220 pontos no início do mês, para os atuais 247 pontos. Essa mudança nos preços reflete o cenário sem Geraldo Alckmin no segundo turno”, entende Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura Investimentos.


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