Setor moveleiro é um dos que mais lucram com e-commerce

Tema foi debatido em evento promovido pela Fiep em Arapongas

Da Redação

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9º Congresso Moveleiro, promovido pela Fiep, em Arapongas, norte do Paraná

Industriais, empresários do varejo, arquitetos, profissionais de design, decoração, marketing e vendas e estudantes participam do 9º Congresso Moveleiro (foto) promovido pelo Sistema Fiep. Este ano, o evento começou na quarta-feira (15) e segue até esta sexta (17), no Centro de Eventos Expoara, em Arapongas, norte do Paraná. O tema desta edição trata da convergência entre internet e comércio tradicional como forma de gerar vantagem competitiva. “O evento tem uma abrangência nacional e acontece em uma cidade que é um polo do setor. A Fiep entende que esta é uma oportunidade de mostrar à cadeia produtiva inovações, oportunizar networking e negociações que são fundamentais para qualquer indústria”, declara Cláudio Petrycoski, presidente do Sistema Fiep.

Já na abertura, a empresária Luiza Helena Trajano, diretora da rede de lojas Magazine Luiza, apresentou o case “Magalu e a era digital”. Responsável pelo desenvolvimento do grupo varejista e pelo reconhecido avanço que tornou a empresa uma das maiores redes do Brasil – com 864 lojas e 10 centros de distribuição em 16 estados, ela destacou que as lojas físicas e os e-commerces podem coexistir. “O digital não vai acabar com o físico. Ele tem de se unir com o físico. Não é uma questão de postura, é uma questão de mentalidade”, citou ao afirmar que a rede está abrindo muitas lojas físicas no Brasil. “A loja física e a indústria vão ter de ter um novo formato, ou seja, pensar no cliente e estar inovando e fazendo experiências sempre”, recomendou.

Produtos da categoria Casa & Decoração são um dos mais vendidos online no Brasil, há mais de cinco anos. Segundo dados da Ebit, empresa que pesquisa hábitos e tendências do e-commerce no Brasil, o faturamento do comércio eletrônico deve crescer 12%, atingindo um total de R$ 53,5 bilhões em 2018. “O comércio eletrônico é um canal de vendas bastante dinâmico e que exige mudanças rápidas de acordo com a concorrência e comportamento dos compradores online”, explica Viviane Vilela, diretora executiva do E-commerce Brasil. De acordo com ela, o mercado moveleiro segue esta tendência. O setor ocupa a quarta posição em volume de pedidos e a quinta em resultado financeiro de vendas. No primeiro caso, só fica atrás de aparelhos celular, eletrodomésticos, eletrônicos e informática. E no segundo, perde para roupas e acessórios, cosméticos e eletrônicos.

Nos Estados Unidos, o mercado de vendas de móveis e decoração movimenta U$ 270 bilhões ao ano e 9% já é vendido online. A expectativa é de crescimento para os próximos 10 anos é de 15% a cada ano, de acordo com a Wayfair 2016 - Annual-Report. “Esta é uma das categorias mais vendidas pela Amazon nos EUA e em alguns países da Europa, como a Alemanha”, comenta. Viviane conta que o varejo online cresce entre 12% e 35% no mundo, dependendo de onde se faz negócios. Nos EUA, por exemplo, o comércio eletrônico representará 25% do varejo total em seis anos. “Hoje, a Amazon representa 5% das vendas do varejo total dos EUA. No Reino Unido, esse valor pode exceder 30%. Talvez o mais impressionante de todos seja que até 2021, três empresas [Amazon, eBay e Alibaba] controlarão 40% do comércio eletrônico do planeta”, afirma.

O setor de móveis brasileiro concentra 77% dos empregos e 72% das empresas em cinco estados: São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais e Santa Catarina. O Paraná é o terceiro principal mercado, com 34,5 mil postos de trabalho e mais de 3 mil empresas do segmento no estado. Os municípios paranaenses que mais geram postos nesta área são Arapongas, Maringá e Curitiba. Arapongas é a cidade com mais trabalhadores no setor moveleiro em todo o país. São mais de 9.300 pessoas. O curioso é que mais de 98% das indústrias moveleiras do Paraná são micro e pequenas empresas.

No ano passado, o BNDES desembolsou mais de R$ 20 milhões em financiamentos para o setor moveleiro paranaense. No acumulado de 2015 a maio de 2018, esse valor chegou a quase R$ 60 milhões. O município de Arapongas foi o maior beneficiado, com 25% do total liberado pelo banco no estado. Em relação às exportações brasileiras, neste ramo elas cresceram 13% entre 2015 e 2017, movimentando US$ 582 milhões. Com o aumento das exportações e a redução das importações, houve aumento de 55% no superávit da balança comercial do setor. O Chile foi o principal destino dos produtos do setor moveleiro paranaense, comprando 13% do total. 


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