“Vamos inserir a indústria catarinense no comércio internacional”

Mario de Aguiar, que presidirá a Fiesc a partir de sexta, pretende reforçar a presença de empresas de SC no mundo

Por Marcos Graciani

graciani@amanha.com.br

Mario Cesar de Aguiar, que presidirá a Fiesc a partir de sexta, pretende reforçar a presença de empresas de SC no mundo

Aos 64 anos, Mario Cesar de Aguiar (foto), que passará a presidir a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) a partir de sexta-feira (10), se vê como um líder que gosta de compartilhar decisões. “Quando você compartilha opiniões, sempre se constrói propostas melhores”, ensina. Muito ligado à família (Aguiar tem dois filhos e duas netas), o empresário do setor da construção civil dedica o tempo que sobra para conviver com eles. Aguiar também tem se dedicado à leitura de Discursos de Barack Obama que, segundo ele, teve uma gestão marcante na presidência dos Estados Unidos. Nesta entrevista exclusiva ao Portal AMANHÃ, Aguiar antecipa aquela que será uma de suas principais bandeiras à frente da Fiesc: inserir a indústria catarinense na corrente de comércio internacional. Para alcançar o objetivo, a entidade oferecerá aos industriais catarinenses informações sobre oportunidades de negócios ao redor do mundo. Tudo baseado em estatísticas que utilizam a tecnologia do Big Data. 

Santa Catarina tem se notabilizado por ser um polo inovador por excelência. Como desenvolver essa importante ferramenta na indústria?
A inovação está no radar do planejamento estratégico da Fiesc. Além de ser um estado empreendedor, temos empresas muito inovadoras. Veja o polo tecnológico que se formou em Florianópolis, por exemplo. Mas há também companhias do gênero em Joinville, Blumenau e Chapecó. São todas cidades-polo de inovação. Boa parte do PIB catarinense já vem dessas empresas de base tecnológica – e muito por conta desse espírito empreendedor. Porém, a inovação não deve ficar restrita à área fabril. O comportamento das pessoas também deve mudar em nome da inovação. Por isso temos de preparar os colaboradores que terão uma jornada de trabalho mais longa dando melhor qualidade de vida para eles. A tecnologia avança a cada dia e, além dos funcionários, os empresários também devem ficar muito atentos. 

Mas um tema que justamente preocupa a indústria brasileira é a baixa produtividade do trabalhador médio. Como fazer para elevar esse nível?
Realmente, se compararmos nossa produtividade com outros países, somente ganhamos dos chineses, cuja evolução nesse indicador tem crescido bastante. A maior causa para a baixa produtividade é o nível de escolaridade do trabalhador e, por essa razão, vou dar continuidade ao projeto Santa Catarina Pela Educação, iniciativa implantada pelo Glauco [José Corte, atual presidente da Fiesc] em sua gestão. No entanto, não podemos culpar apenas o trabalhador por isso. O sistema tributário brasileiro exige que a indústria aloque muitas pessoas para funções burocráticas, o que contribui para diminuir a produtividade média quando se vai fazer o cálculo desse índice. Uma saída mais rápida para o industrial é reduzir a dependência braçal usando tecnologia avançada de equipamentos, algo que a Indústria 4.0 ajudará a fazer.  

O que esperar – e cobrar – dos futuros governantes que estão concorrendo nas eleições deste ano?
Há bandeiras comuns de todas as federações industriais – entre elas a redução do tamanho do Estado, a melhoria da eficiência do governo, a necessidade de reformas estruturantes, como a fiscal e a da previdência que já deveria ter acontecido. Além disso, ratificar a nova legislação trabalhista que modernizou as relações de trabalho. Também é preciso aumentar o poder de investimento do poder público e eliminar situações que inibem o investimento privado como a insegurança jurídica. O Brasil já viu que incentivar consumo somente não faz a economia avançar. Para ter sustentabilidade, é preciso que as empresas invistam capital, fator que fará com que existam empregos e renda. Mas entendo que é preciso fazer a reforma fiscal antes da [reforma] tributária. 

E para Santa Catarina? 
Temos de trabalhar fortemente a infraestrutura. Temos pouco mais de 1% do território nacional, mas somos a sexta economia do país. Não tem lógica que recebamos tão pouco em troca de uma resposta tão boa que damos ao país. É fundamental que Santa Catarina receba um retorno do que oferece ao Brasil. Temos deficiência no modal ferroviário, as rodovias estão acima de suas capacidades de tráfego, é preciso investir em energia, gás, enfim, precisamos urgentemente fazer melhorias estruturais. 

Como o senhor avalia a relação do Brasil com o comércio exterior e de Santa Catarina em particular?
O Brasil participa muito pouco da corrente de comércio internacional pela representatividade que tem em ser a nona economia do mundo. Santa Catarina já tem uma boa participação por causa das empresas exportadoras que estão instaladas no estado. Uma bandeira forte em minha gestão será inserir a indústria catarinense na corrente de comércio internacional. Uma das propostas de trabalho dessa gestão é auxiliar empresas que tenham excelente qualidade a exportar e até mesmo importar insumos para a produção interna. Temos um observatório onde analisamos diversos dados e estatísticas baseados em Big Data. Faremos com que chegue até o industrial demandas de diversos países que ele possa atender, por exemplo. Vamos identificar potencial das indústrias e informar as empresas que determinado mercado está demandando tal produto e que vemos naquela companhia possibilidade de geração de negócios. Será um link entre o mercado consumidor mundial e o sistema produtivo catarinense.

Como o senhor gostaria de ser lembrado ao final do mandato?
Gostaria de ser reconhecido pela minha proposta em fazer um excelente trabalho na federação e incrementar ainda mais esse respeito que a Fiesc adquiriu, sempre trabalhando seus pleitos em defesa da sociedade catarinense. 


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