A urgência da ética nas relações empresariais

Na visão do presidente da Dell, as empresas devem levar o tema a sério

Por Luis Gonçalves*

A urgência da ética nas relações empresariais

Nos últimos anos, tem mudado a relação dos consumidores com as marcas e os produtos. Hoje, não basta apenas ter qualidade, atendimento e preço adequados. Para obter sucesso, as empresas devem estabelecer uma relação de confiança com os usuários e, principalmente, proteger sua reputação por meio de uma postura ética.

Em um momento dominado pela rápida disseminação das informações pelas redes sociais e pela internet, “são necessários 20 anos para construir uma reputação e cinco minutos para destruí-la”, como bem pontuou o mega-investidor Warren Buffett. Uma percepção que, somada a escândalos de corrupção recorrentes envolvendo grandes corporações – no mundo e no Brasil – e ao recrudescimento do ambiente regulatório, tem obrigado as empresas a pensarem de forma mais séria em regras e políticas de ética, que não se aplicam mais apenas aos colaboradores, mas a todos os parceiros com os quais a organização se relaciona. Da mesma maneira que a ética estabelece as regras que determinam a conduta moral na vida pessoal e coletiva, a ética empresarial define os padrões de atuação que vão favorecer a sociedade, fornecedores, clientes, funcionários, investidores, sócios e até mesmo o governo.

Se, na teoria, a ética empresarial representa um caminho natural para as organizações, na prática, muitas empresas ainda têm dificuldade para implementar políticas claras e abrangentes voltadas a tratar desse tema. Na maior parte das vezes, os programas atendem aos requisitos mínimos da lei, mas estão longe de criar um ambiente no qual o comportamento e as relações éticas sejam 100% garantidos e isso se reflita de forma positiva na reputação da companhia.

As empresas consideradas as mais éticas em todo o mundo apresentam uma abordagem robusta do tema, que passa por padrões, controles, treinamentos, comunicação e monitoramento que vão muito além do atendimento às normas e leis vigentes. Mais do que isso, essas organizações têm líderes que atuam como exemplo de uma cultura empresarial balizada 100% em uma postura ética e na qual, mesmo com a pressão por resultados, tomam decisões éticas para o negócio – e que nem sempre são rápidas, fáceis e evidentes.

Enfim, mais do que uma tendência, a ética empresarial representa um diferencial competitivo na atualidade e uma garantia de sobrevivência das organizações em médio e longo prazos. Assim, chegou a hora das empresas tratarem o tema de forma séria e abrangente.

*Presidente da Dell Brasil.



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