Revolução na lavoura

O presidente da John Deere conta como nasceu, no sul, a primeira colheitadeira fabricada no Brasil, há 50 anos

Por Paulo Herrmann*

Revolução na lavoura

A agricultura, assim como todos os outros segmentos da sociedade, evoluiu muito nas últimas décadas. No início do século passado, o trabalho na lavoura era realizado integralmente de forma manual e consistia em uma prática pesada, demandando a aplicação de muitos homens, que faziam o plantio e a colheita em uma área reduzida, já que a ausência de maquinário não permitia a expansão agrária.

A partir da década de 1930 é que as primeiras máquinas agrícolas foram sendo introduzidas no cotidiano da agricultura do Brasil. Totalmente manuais e importadas, elas representavam um enorme avanço para o setor na época, já que traziam mais rapidez, segurança e praticidade ao trabalho no campo.

Duas décadas depois, as primeiras colheitadeiras de grãos começaram a chegar às lavouras brasileiras. Importadas e ainda com custo alto, as máquinas mudaram o modo da operação, porém ainda eram altamente custosas, o que se refletia no preço do produto que chegava à mesa do consumidor final. Isso fez com que a Schneider, Logemann e Companhia (SLC), a antecessora da John Deere no Brasil, iniciasse a fabricação de colheitadeiras no país, originando no modelo 65-A (foto), a primeira máquina autopropelida desta categoria no Brasil, fato que completa 50 anos em 2015 – mais exatamente no dia 5 de novembro.

Na época, as colheitadeiras obrigavam a presença de dois operadores. Por ser um equipamento 100% manual, quem pilotava a máquina exercia somente essa função, utilizando-se de muita força física, enquanto uma segunda pessoa realizava o trabalho de ensaque. O produto não possuía um tanque de armazenamento dos grãos colhidos, o que fazia com que as sacas permanecessem na lavoura para serem recolhidas por outra máquina agrícola posteriormente. As primeiras colheitadeiras nacionais eram feitas de ferro e movidas a diesel, e possuíam a capacidade de colher 500 sacas de soja por dia, um avanço para a época. A entrada desses equipamentos foi fundamental para a expansão de diversas culturas agrícolas pelo país, como a soja e o milho, cuja área plantada se expandiu para além das fronteiras do Rio Grande do Sul e chegou ao Paraná, por exemplo.

As máquinas agrícolas e a agricultura como um todo passaram por diversos avanços nas últimas cinco décadas. Cada vez mais a tecnologia foi sendo introduzida nesses equipamentos, reduzindo o esforço do operador, aumentando a qualidade e produtividade da colheita e reduzindo o custo da produção. Atualmente, a tecnologia está presente em cada passo dos agricultores brasileiros. As máquinas agrícolas são dotadas de diversos itens de ponta, como piloto automático, e muitas delas, como a colheitadeira de grãos mais moderna do país, a S690 da John Deere, possuem cabine com ar condicionado e frigobar, trazendo mais conforto. Além disso, atualmente o trabalho pode ser feito por apenas uma pessoa em menos tempo e com muito mais qualidade. Como comparação entre a 65-A e a S690, um dado salta aos olhos: o número de sacas que eram colhidas pela primeira colheitadeira em um dia inteiro de trabalho hoje é feito em apenas meia hora.

A John Deere, em seus 178 anos de história e mais de 30 atuando no Brasil, pontuou sua trajetória desenvolvendo produtos e tecnologias que facilitem a vida do produtor, diminuindo o custo e impactando positivamente em toda a cadeia agrícola. A história da companhia no Brasil e no mundo tem como pilar a inovação e se permeia por trazer máquinas agrícolas e soluções que revolucionem o setor, do plantio à colheita, e melhorem a vida do produtor para, juntos, ajudarmos a alimentar o mundo.

*Presidente da John Deere Brasil.



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Guilherme Rosa Balestrin

Eis aqui uma bela história de um exemplo de pujança, inovação e empreendedorismo da nossa querida SLC, lá de Horizontina; receba a John Deere meus sinceros parabéns pelo justo resgate histórico do legado da SLC para o nosso Estado e para o Brasil. Um grande abraço também para o Sr. Romeu Schneider (o "S" da SLC) com quem tive o privilégio de trabalhar no Grupo Kaizen/Zensul.

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