Defesas corporativas inibem mudanças digitais

Para que um ambiente esteja aberto à mudança, é necessário minimizar o sistema imunológico que barra a inovação

Por Ademir Piccoli

Defesas corporativas inibem mudanças digitais, revela Ademir Piccoli
Transformação digital se tornou o desafio das organizações preocupadas com o futuro de seus negócios, à medida que buscam acelerar a adoção de tecnologias como Inteligência Artificial, por exemplo. Segundo a pesquisa Global Human Capital Trends 2018,da Deloitte, 47% dos executivos afirmam que suas organizações estão profundamente envolvidas em projetos de automação, com 24% usando inteligência artificial e robótica para executar tarefas rotineiras.

A velocidade imposta pelas transformações tecnológicas faz com que as empresas necessitem quase que de forma expressa adquirir novas habilidades e flexibilidade para acompanhar a pressão por mudança. Mas diante deste cenário uma importante pergunta precisa ser considerada: as pessoas possuem agilidade e capacidade de acompanhar o desafio nas organizações?

O fato é que como indivíduos, a cada dia vivemos e compartilhamos nossas vidas em redes sociais, usamos novas tecnologias para nos comunicarmos e nos relacionamos de diferentes formas com o mundo. E todas essas possibilidades que estamos expostos fazem parte de uma cultura digital.

Ao construir uma cultura digital dentro das organizações, estamos tratando do conjunto de valores, hábitos e comportamentos que são compartilhados e orientam os objetivos delas. Inserir uma cultura digital significa construir um ambiente aberto ao novo, especialmente os impostos pelas tecnologias atuais. Para que um ambiente esteja aberto à mudança, é necessário minimizar o sistema imunológico que barra a inovação. As “defesas corporativas” que inibem transformações precisam ser barradas para que uma nova cultura possa se consolidar.

Desenvolver uma cultura é como plantar sementes: é preciso regar, fazer florescer e depois multiplicar. Alinhado ao pensamento de Salim Ismail, plante a mudança construindo uma comunidade de interesse em torno dos propósitos da organização em transformação, apoie no desenvolvimento de microprojetos além das inovações em produtos e tecnológicas, para estimular o florescimento de novas ideias em processos, modelos de negócios, ações, etc. Somente assim será possível combater a inércia das atuais estruturas de pensamento. 

Note que quando falamos em mudança de cultura ou cultura digital, não estamos falando apenas sobre ambientes criativos e tecnológicos. É importante pontuar que a criatividade no ambiente corporativo está associada, de forma geral, com a estrutura gerencial, acesso à informação, ao trabalho de forma independente. Tudo isso pode fazer a diferença em momentos de incerteza, ou seja, quando é preciso ter capacidade para se adaptar. 

A reportagem “O RH torna-se ágil”, publicada pela revista Harvard Business Review por Petter Cappelli e Anna Tavis, afirma que a inovação rápida se tornou uma necessidade estratégica para a maioria das empresas. E para colocá-la em prática, elas passaram a prestar atenção no Vale do Silício, especialmente em empresas de software, ao copiar suas práticas ágeis. Assim, ser veloz deixa de ser uma prerrogativa da área de tecnologia, pois não há mais justificativas para manter os antigos sistemas de RH, que cada dia mais adotam práticas que apoiem todas as áreas – e todos funcionários – na transformação da organização. 

Por isso que a organização do futuro tem a habilidade de proporcionar aos profissionais uma jornada contínua de aprendizado.

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