Um PIB chinês em infraestrutura para a Ásia

Estimativas apontam serem precisos US$ 22 trilhões para obras no continente até 2030

Por Milton Pomar

Estimativas apontam serem precisos US$ 22 trilhões para obras na Ásia até 2030

Mumbai, cidade que é o centro financeiro da Índia, sediou a terceira reunião anual do Banco Asiático de Investimentos em Infraestrutura. O encontro, promovido no final de junho, contou com a participação de 3 mil delegados dos 86 países que são sócios do banco. Eles vieram da Ásia, Europa, África e América Latina. No evento, o Líbano foi aceito como o 87º membro da instituição e decidiu-se realizar a reunião do próximo ano em Luxemburgo.

Esse banco é um dos dois [o outro é o NDB, sigla de New Development Bank, também conhecido como banco do Brics ] com os quais a China conta para viabilizar os trilionários investimentos necessários à construção da infraestrutura de transportes do seu megaprojeto “Um Cinturão, Uma Rota”. A obra projeta interligar por via terrestre e marítima a Ásia à Europa e estas aos demais continentes. Soma-se à imensa demanda chinesa por recursos para infraestrutura a também imensa demanda indiana, da qual o maior projeto conhecido é o da construção de um corredor de transporte para aumentar as suas exportações para a Rússia e outros países da ex-União Soviética, e os países da Ásia Central que ficam, literalmente, “no meio do caminho” até o mercado russo. Esse corredor Sul-Norte de 7 mil quilômetros de extensão será multimodal e integrará o Oceano Índico ao Golfo Pérsico e ao Mar Cáspio, reduzindo pela metade o tempo de viagem (hoje de 40 dias) de mercadorias da Índia para Moscou.

Por tudo isso, estimativas apontam serem precisos US$ 22 trilhões para a construção da infraestrutura necessária na Ásia até 2030. O montante é muito superior à capacidade de financiamento das fontes tradicionais, como o Banco Mundial e o Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB), e equivale a um PIB chinês (no caso, o PIB pela paridade do poder de compra, critério pelo qual a China ultrapassou os Estados Unidos em 2016).

O presidente do AIIB, o chinês Jin Liqun, em seu discurso na abertura do evento, disse que o principal objetivo da instituição é melhorar a vida das pessoas na Ásia e em outras regiões, destacando que 11% da população do continente ainda vive na pobreza, e a importância da Ásia no mundo – segundo ele, os países asiáticos em desenvolvimento respondem por 60% do crescimento econômico e dois terços do comércio mundiais.

Energia (geração e distribuição de fontes renováveis), sistemas de transportes coletivos, ferrovias, portos e rodovias são as prioridades atuais de financiamento do AIIB e do NDB. Tudo para reduzir custos e o tempo de transporte de mercadorias, em especial de alimentos, dentro da Ásia e do mundo para os países asiáticos, principalmente a China. Detalhe importante: o gigante asiático considera importante investir também na conectividade dos países que considera estratégicos para o projeto “Uma Rota, Um Cinturão” e para o seu desenvolvimento – nações dos quais importa alimentos, petróleo, ferro e outros recursos naturais em quantidades significativas. Desses, o mais importante é o Brasil.


leia também

comentarios


Seja o primeiro a comentar a notícia!



Comentar

Adicione um comentário: