Plano de reestruturação da BRF envolve venda de ativos

Companhia catarinense pretende arrecadar R$ 5 bilhões

Por Marcos Graciani

graciani@amanha.com.br

Plano de reestruturação da BRF envolve venda de ativos e dispensa de funcionários

A BRF (foto) anunciou nesta sexta-feira (29) seu plano de reestruturação operacional e financeira. O objetivo é melhorar a estrutura de capital, por meio da redução de sua alavancagem. O ponto de partida é a decisão de focar as operações no Brasil, na Ásia e no mercado muçulmano, neste último caso atendido por plantas exclusivas, que incluem os ativos de Banvit, na Turquia. De acordo com o comunicado da companhia catarinense, são países onde ela lidera e tem fortes vantagens competitivas. O plano foi bem recebido pelo mercado. As ações subiram 12,2% fechando o pregão a R$ 20,21. Esta foi a maior alta de toda a bolsa. O valor de mercado da companhia aumentou R$ 1,9 bilhão, passando para R$ 16,4 bilhões.

“Em decorrência dessa orientação estratégica, está prevista a venda de unidades operacionais na Europa, Tailândia e Argentina. Importante ressaltar que a venda desses ativos não exclui a exportação para esses mercados. O plano também abrange a venda de ativos imobiliários e não operacionais, e de participações minoritárias em empresas. Uma outra iniciativa é a realização de operação de securitização de recebíveis. A previsão é arrecadar aproximadamente R$ 5 bilhões com as medidas acima destacadas, fazendo com que a razão entre a dívida líquida e o EBITDA fique em torno de 4,35x em dezembro de 2018, já considerando a recente alta do dólar e os impactos referentes às restrições parciais de exportação para o mercado externo, e abaixo de 3,00x em dezembro 2019”, explica a empresa liderara por Pedro Parente, ex-presidente da Petrobras. 

“O reforço no caixa decorrerá, também, de uma melhor gestão de estoques de matéria-prima (congelados) e de produto acabado. Neste sentido terá continuidade o plano de reestruturação fabril, que tem como principal objetivo a readequação da estrutura produtiva à demanda de mercado. Em andamento desde março deste ano, a iniciativa incluiu readequação nas linhas de produção, férias coletivas e a redução de cerca de 5% do quadro de funcionários nas operações fabris no Brasil. Ao longo dos próximos 60 dias, os ajustes finais serão implementados em 22 das 35 unidades fabris no país”, anuncia a empresa. 

Lorival Nogueira Luz Junior, diretor vice-presidente executivo global e diretor e vice-presidente financeiro e de Relações com Investidores, ressalta que os esforços para otimização de custo e ampliação da rentabilidade também incluem a simplificação da estrutura organizacional com redução do número de vice-presidências de 14 para 10, divididas em três grandes áreas. “Serão três vice-presidências, com foco em mercados: Brasil, Halal e Internacional. Na frente operacional, serão também três vice-presidências: Operações, Planejamento Operacional (S&OP) e Qualidade; e quatro vice-presidências corporativas: Finanças e Relações com Investidores, Planejamento Estratégico e Gestão, Recursos Humanos e Serviços Compartilhados, e Institucional e Compliance”, elenca ele, no comunicado. 


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