Uma visão sintética do Brasil

Somos um país extremamente desinteressante sob uma ótica global

Por Fernando Dourado Filho, do Recife (PE)

Somos um país extremamente desinteressante sob uma ótica global, opina Fernando Dourado Filho

Dia desses o ex-ministro Delfim Netto disse que o Brasil está virtualmente reduzido a ser uma colônia da China. Exageros à parte, tem muito de verdade constatar que a dependência das exportações de soja e de minério de ferro para a Ásia se revela preocupante, mesmo porque o  país passou por uma profunda desindustrialização, mercê das expectativas criadas em torno do pré-sal, o que nos jogou nas malhas da "doença holandesa" .

Seja como for, temos de entender que sob o ponto de vista geopolítico, somos um país extremamente desinteressante sob uma ótica global. Sem saída para o oceano Pacífico, o grande eixo da riqueza mundial, e isolado do restante do mundo, prevalece a impressão de que somos uma espécie de Austrália, longe de tudo e de todos, sem a vantagem de termos uma população pequena e bem educada como é o caso do quase continente insular.  

Nesse contexto, para evitarmos que essa visão se calcifique e nos condene ao imobilismo que paralisa alguns países africanos, impõe-se que tenhamos um presidente pronto para formatar e executar uma visão que contemple de forma inequívoca nossa inserção no mundo, a despeito das candentes desvantagens de natureza geopolítica que nos limitam. É isso ou perecer no esquecimento e ficar na rabeira da composição.

Assim sendo, ademais da revolução educacional, um desafio contínuo e de longo prazo, é vital que facilitemos a entrada de grandes cérebros no país, como forma de adensarmos os clusters ainda incipientes de nanotecnologia, inteligência artificial, biotecnologia, além de uma reindustrialização que possa equilibrar a força que temos na área do agronegócio e, em certa medida, no segmento de serviços.

Sem o concurso de um presidente que esteja à vontade no mundo, nossos pontos fracos tenderão a se tornar crônicos mesmo porque nossas vantagens comparativas são relativamente modestas quando cotejadas com a força chinesa, o poder russo – que decorre da área energética –, o colosso dos Estados Unidos, e já nem falo aqui dos países ricos, como é o caso da maioria das nações europeias.   

O que é mais crítico, contudo, é que isso não parece incomodar para além da retórica, sequer um dos candidatos que assomam no horizonte.  


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