Crise dos combustíveis leva Parente a pedir demissão

Ele poderá assumir presidência da catarinense BRF

Da Redação, com Agência Brasil

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Crise dos combustíveis leva Pedro Parente, presidente da Petrobras, a pedir demissão

O presidente da Petrobras, Pedro Parente (foto), pediu nesta sexta-feira 91) demissão do cargo. O comunicado foi feito em fato relevante divulgado ao mercado. Parente também  se reuniu com o presidente Michel Temer, no Palácio do Planalto. “A nomeação de um CEO interino será examinada pelo Conselho de Administração da Petrobras ao longo do dia de hoje. A composição dos demais membros da diretoria executiva da companhia não sofrerá qualquer alteração”, informa o comunicado da Petrobras. 

“Faço um julgamento sereno de meu desempenho, e me sinto autorizado a dizer que o que prometi foi entregue, graças ao trabalho abnegado de um time de executivos, gerentes e o apoio de uma grande parte da força de trabalho da empresa, sempre, repito, com o decidido apoio de seu Conselho. A Petrobras é hoje uma empresa com reputação recuperada, indicadores de segurança em linha com as melhores empresas do setor, resultados financeiros muito positivos, como demonstrado pelo último resultado divulgado, dívida em franca trajetória de redução e um planejamento estratégico que tem se mostrado capaz de fazer a empresa investir de forma responsável e duradoura, gerando empregos e riqueza para o nosso país. E isso tudo sem qualquer aporte de capital do Tesouro Nacional, conforme nossa conversa inicial. Me parece, assim, que as bases de uma trajetória virtuosa para a Petrobras estão lançadas”, declarou Parente em carta enviada ao presidente Michel Temer. 

“A greve dos caminhoneiros e suas graves consequências para a vida do país desencadearam um intenso e por vezes emocional debate sobre as origens dessa crise e colocaram a política de preços da Petrobras sob intenso questionamento. Poucos conseguem enxergar que ela reflete choques que alcançaram a economia global, com seus efeitos no país. Movimentos na cotação do petróleo e do câmbio elevaram os preços dos derivados, magnificaram as distorções de tributação no setor e levaram o governo a buscar alternativas para a solução da greve, definindo-se pela concessão de subvenção ao consumidor de diesel. Tenho refletido muito sobre tudo o que aconteceu. Está claro (...) que novas discussões serão necessárias. E, diante deste quadro fica claro que a minha permanência na presidência da Petrobras deixou de ser positiva e de contribuir para a construção das alternativas que o governo tem pela frente. Sempre procurei demonstrar, em minha trajetória na vida pública que, acima de tudo, meu compromisso é com o bem público. Não tenho qualquer apego a cargos ou posições e não serei um empecilho para que essas alternativas sejam discutidas”, declarou Parente. 

A catarinense BRF está sem presidente-executivo desde o fim de abril, quando Parente foi eleito para dirigir seu Conselho de Administração. De acordo com informações do mercado, dificilmente a empresa poderia esperar até o final do ano para ter um novo CEO. Há uma semana, quando agentes econômicos cogitaram que Parente assumisse a gestão da BRF, as ações da companhia catarinense dispararam na bolsa. Nesta sexta, o fenômeno se repetiu: os papéis eram vendidos a R$ 23,15, um avanço de 7,6%. A Petrobras, por sua vez, acumula uma queda de 19,7% (R$ 15,24). 

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