Pronto para o Small Data?

Antes do ótimo, preocupe-se com o bom

Por André D´Angelo

Como em quase tudo que envolve tecnologia, entre o resultado real e o potencial ainda há muito tempo e trabalho pela frente

O anúncio de página dupla em uma revista de circulação nacional não é nem um pouco econômico nas promessas:

“Lembra daquele seu primo distante? Nós sabemos tudo sobre ele. Até como levar a sua marca até ele”. 

Trata-se da área de Database Marketing de uma editora, agora rebatizada de Big Data, oferecendo seus serviços – e me fazendo voltar mais de 15 anos no tempo. 

Lembrei do início dos anos 2000, quando o mundinho empresarial rendia-se ao Customer Relationship Management (CRM), ferramenta que prometia tornar os esforços de marketing mais direcionados e produtivos. Com ele, a mídia de massa ficaria para trás, pois, conhecedoras de tudo o que se passava em cada domicílio, pelo cruzamento de diversos bancos de dados, as empresas seriam capazes de oferecer o produto certo, na hora certa, pelo preço adequado. 

Deu em nada, como se sabe. Ou em muito menos do que se imaginava. 

O CRM virou anedota, mas nem por isso os vendedores de soluções mágicas inovaram no discurso. Lembro de ter testemunhado um gerente comercial de CRM dizendo a sério para seus prospects: “nós sabemos até o nome do cachorro de cada família”. Hoje, no anúncio mencionado no início deste post, o tal primo é desavergonhadamente descrito como “um gamer fanático e nerd raiz”, que “investe no visual” e que volta e meia “quebra ou perde os óculos”... 

Como em quase tudo que envolve tecnologia, entre o resultado real e o potencial ainda há muito tempo e trabalho pela frente. Considerando que se trata de uma área em que 99% dos profissionais nas empresas não conta com qualquer conhecimento, que é a da tecnologia associada à estatística, tem-se o espaço perfeito para os exageros. 

Recentemente, um gestor me confessou, entre constrangido e indignado, que o sistema de sua empresa não o permitia sequer calcular o tíquete médio dos clientes. E cunhou o jogo de palavras que dá título a este texto: “quem sabe nos preocupamos primeiro com o Small Data?”. 

Quem há de discordar?

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comentarios




Robinson

Não ter nem o small data e já brigar pelo big data. Será que é medo dos dados? Sim, porque a melhor forma de não começar é deixar grande o suficiente para, não começar. Se houvesse vontade em nossa cultura, os dados seriam [considerados] mais aliados; e menos como dedos-duros. Não entendo esta relação quase rançosa com o que os dados podem gerar e "ensinar". A ciência, consequentemente a tecnologia, admite o erro como "O" caminho. Mas nas empresas, "parece" pecado quase mortal. Ou seria mortal?! Não estaria mais que na hora de mudar isso?

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