Alta do dólar impacta setores da economia

Uma das atingidas é a indústria farmacêutica

Por Agência Brasil

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As sucessivas altas do dólar podem impactar nos preços de insumos importados e na geração de emprego. Jackson De Toni, que é gerente de Planejamento da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), avalia que a alta do dólar deve impactar em todas as commodities internacionais que estão vinculadas à moeda americana. “Todas as áreas que dependem de importação de insumos, produtos ou manufaturados que vêm do exterior, por exemplo, os componentes básicos da indústria farmacêutica, o trigo importado, vemos também nos preços dos combustíveis”, avalia.

Segundo De Toni, a geração de empregos no futuro também pode ser afetada. “O aumento de custos que as empresas têm em relação ao dólar aumenta o preço aos consumidores e vai comprimir o lucro das empresas. Isso pode diminuir no futuro a capacidade que essas empresas têm para investir, que vem da receita que elas tiveram no passado e o que vai diminuir uma geração de empregos menor no futuro”, avalia. Para ele, outra consequência do aumento do dólar é que as empresas brasileiras estão endividadas em dólar, principalmente as de médio e grande porte que tomaram empréstimo para aumentar oferta. “Isso afeta sua capacidade de pagamento em dólar”.

O professor de Finanças da FGV EAESP Cesar Caselani alerta que quem vai viajar ao exterior deve ficar atento com essa volatilidade muito grande no câmbio, e redobrar o cuidado com relação ao custo da viagem. “A pessoa vai ter que tomar muito cuidado para depois não ter surpresas desagradáveis na volta da viagem, especialmente se for usar o cartão de crédito, o que eu não recomendaria. Levar a moeda em espécie e já garantir uma taxa de câmbio seria melhor”, sugeriu. Ele aconselha que as empresas, especialmente as que têm qualquer tipo de dívida em dólar, devem tentar reduzir o endividamento, já que o risco que atual em relação ao câmbio é muito alto.

Para ele, a economia deve retomar lentamente nos próximos meses. “Imagino que a gente vá caminhar assim nos próximos meses, daqui a pouco temos uma Copa do Mundo, e o país tende a parar neste evento; depois nós temos essa indefinição com as eleições e isso cria um misto de desalento com expectativa. Essa espera vai minando os investimentos e até mesmo a procura de emprego”.

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