PwC vê discrepância entre remuneração de executivos e retorno para acionista

O estudo sugere a criação de comitês de remuneração independentes vinculados ao Conselho de Administração

Por Marcos Graciani

graciani@amanha.com.br

Pesquisa da PwC revela discrepância entre remuneração variável e retorno para acionistas

Pesquisa realizada em parceria entre a consultoria PwC e a Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (EAESP-FGV) revela que executivos de empresas de capital aberto recebem remuneração variável mesmo que os papéis da companhia não atinjam o retorno esperado pelos acionistas. As conclusões se referem ao período entre 2010 e 2016. Os resultados foram obtidos a partir de uma amostra com 149 empresas presentes no Índice de Governança Corporativa da B3 e foram divididos em dois grupos: um, incluindo 28 empresas (cerca de 19% do total) que tiveram seus investimentos remunerados; e um segundo grupo que inclui as 121 empresas restantes (81%) e que geraram retorno inferior ao custo do capital.

Em ambos os casos foram registradas distâncias entre a remuneração variável de executivos e o retorno aos acionistas, mas a diferença é maior nas empresas que não tiveram ganho de valor no período analisado. Os retornos aos acionistas e a remuneração variável estavam em uma base 100 em 2010, mas em 2016 os ganhos de acionistas caíram para 22 enquanto a remuneração executiva não-fixa ficou em 87 (diferença de 65).  Já nas companhias que geraram valor no mesmo período, a remuneração variável caiu de 100 para 82, enquanto o retorno de acionistas despencou de 100 para 36 (diferença de 46). É importante observar ainda que neste grupo de empresas que geram valor, a remuneração dos executivos é superior ao grupo que entregou menor valor para os acionistas, demonstrando assim que o alinhamento de  interesses de acionistas e executivos é fundamental neste processo.

Apesar disso, chama atenção que, até 2015, a remuneração dos executivos seguiu em alta nas companhias que não geravam valor. “As empresas no Brasil insistem em uma estrutura antiga de pagamento variável aos seus executivos, como o bônus de fim de ano e outros benefícios não fixos, independente se há ou não aumento na geração de valor da empresa. Esta é uma das principais causas desta discrepância”, avalia Roberto Martins, diretor da PwC Brasil. Para alinhar as expectativas de executivos e acionistas, o estudo sugere a criação de comitês de remuneração independentes vinculado ao Conselho de Administração das empresas. Essa providência melhoraria a transparência, diversidade e equidade das operações de governança corporativa. Além disso, a pesquisa defende que as companhias não foquem apenas no crescimento do lucro ou indicadores de curto prazo, mas também na geração de valor.

Metodologia
Das companhias que participaram da pesquisa, 73% delas possuem capital nacional e 41% obtiveram faturamento acima de R$ 3 bilhões em 2016. Foram 12 setores analisados, com destaque para produção industrial, engenharia e construção e prestação de serviços. O estudo se refere ao período entre 2010 e 2016, já que os dados do ano passado ainda não foram completamente informados pelas empresas à Comissão de Valores Imobiliários (CVM). 

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