Brasil e América do Norte puxam resultado da Gerdau

Empresa prevê aumento da capacidade instalada nos EUA

Por Marcos Graciani

graciani@amanha.com.br

Brasil e América do Norte puxam resultado trimestral da Gerdau, revela balanço do primeiro trimestre de 2018

Os resultados alcançados pela Gerdau em suas operações no Brasil e na América do Norte surpreenderam positivamente o mercado nesta quarta-feira (9). No continente norte-americano, o volume se beneficiou de um aumento na demanda e menos importações nos Estados Unidos, além do preço ter ajudado. Ao longo do trimestre, as vendas físicas para o mercado interno brasileiro (que não incluem as unidades produtoras de aços especiais) somaram 996 mil de toneladas, um crescimento de 15%, influenciado pela melhora da demanda da indústria. “O resultado deve levar a uma revisão para cima de expectativas para 2018 por parte do mercado”, avaliou a XP Investimentos em comunicado. Também pudera: a Gerdau ampliou em 23% sua receita líquida entre janeiro e março, para R$ 10,4 bilhões, enquanto o lucro líquido ajustado foi de R$ 451 milhões, revertendo o resultado negativo ajustado de R$ 34 milhões no mesmo período do ano anterior (veja os principais indicadores na tabela ao final desta reportagem). 

E as perspectivas são ainda melhores para a maior companhia da região, de acordo com o ranking 500 MAIORES DO SUL, publicado por AMANHÃ em parceria com a PwC. A empresa estima aumentar a capacidade instalada de 80% para 85% nas unidades norte-americanas a partir do fim das negociações da Seção 232. A medida do governo do presidente Trump prevê aumento de tarifas de importação sobre o aço e alumínio. Porém, no caso brasileiro, o governo dos Estados Unidos deve fechar um acordo envolvendo cotas de importação. No entanto, os termos devem ser concluídos até o final deste mês. Como a fabricante de aço produz no país, a estratégia de Trump para fortalecer a indústria local ajudará a Gerdau. Até março, a Operação de Negócio América do Norte [que inclui todas as unidades na América do Norte – Canadá, Estados Unidos e México –, exceto aços especiais] respondeu por 40,4% da receita líquida da companhia. Não sem razão, a Gerdau prevê evolução da demanda neste ano, principalmente nos segmentos de construção civil. “No Brasil, apoiamos e entendemos a posição do setor e esperamos que a negociação caminhe da melhor forma possível. Porém, analisando apenas a ótica da Gerdau, isso é positivo [para o negócio]”, avalia Gustavo Werneck, CEO da companhia. 

Os Estados Unidos também farão parte dos investimentos da Gerdau. Em março, foi aprovado pelo Conselho de Administração a ampliação da capacidade de produção e a atualização tecnológica da usina de Monroe, voltada para a produção de aços especiais e que atende o mercado automobilístico da região. Serão investidos R$ 240 milhões na planta que, ao final do aporte, terá capacidade de entregar 720 mil toneladas curtas de aço por ano. No ano, a companhia prevê investir R$ 1,2 bilhão em ativo imobilizado. 

Brasil e Argentina
Werneck acredita que o Brasil terá um aumento de 6,6% nas vendas internas, de acordo com estimativa divulgada pelo Instituto Aço Brasil. “Temos notado a retomada gradual da indústria e esperamos maior demanda por parte do setor de construção civil residencial no segundo semestre”, avalia. O CEO também informou que, conforme planejado, a Gerdau reativou a aciaria de Mogi das Cruzes (SP). Impulsionada pela recuperação do mercado automotivo no país, a aciaria tem capacidade instalada de 375 mil toneladas de aços especiais por ano.

Na visão dos executivos da Gerdau, ainda é muito cedo para avaliar os desdobramentos da crise argentina, onde a companhia tem uma usina na província de Santa Fé, inaugurada em outubro. “O impacto será marginal, já que o mercado representa menos de 5% do nosso negócio. A nova planta está indo muito bem e acreditamos em sua viabilidade e na rentabilidade já que sempre temos uma visão de longo para nossos investimentos”, explica Harley Scardoelli, vice-presidente executivo de finanças da companhia.  

Informações selecionadas

1º Tri 18

1º Tri 17

Var. ( %)

4º Tri 17

Var. ( %)

Vendas (Mil Toneladas)

3.871

3.591

7,8

3.774

2,6

Receita Líquida  (R$ Milhões)

10.389

8.459

22,8

9.817

5,8

Margem Ebitda ajustada  (%)

14,3

10,1

-

12,0

-

Lucro Líquido ajustado (R$ Milhões)

451

(34)

-

262

72,3

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