HSBC confirma venda de operações no Brasil

Bradesco e Santander disputam a quinta maior companhia do sul

Da Redação, com Infomoney

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HSBC confirma venda de operações no Brasil

O HSBC informou na manhã desta terça-feira (9) que continua operando normalmente no Brasil e que manterá no futuro os serviços aos clientes. Em nota, o banco confirmou que está em processo de venda de ativos e não de encerramento de suas operações no país. O HSBC Holdings confirmou, em Londres, que pretende vender a sua operação no país, mas planeja manter presença para atender aos clientes corporativos de grande porte em suas necessidades internacionais. O cenário mais especulado, agora, é que a quinta maior empresa do sul, segundo o ranking GRANDES & LÍDERES  – 500 MAIORES DO SUL, publicado por AMANHÃ em parceria com a consultoria PwC, seja comprado pelo Bradesco (BBDC3; BBDC4). O banco teria oferecido o maior valor pela operação, de até R$ 14 bilhões, conforme noticiou a Bloomberg. Além de suposições sobre um possível comprador, expectativas sobre o impacto da operação no setor não podem ser descartadas. Afinal, em jogo, estão quase R$ 168 bilhões em ativos e um patrimônio líquido de R$ 9,732 bilhões (veja tabela ao final da matéria). Diante dos anseios por respostas, o InfoMoney traçou quais os possíveis cenários e impactos no setor após a compra bilionária. O que se sabe até o momento é que o Goldman Sachs, contratado para assessorar o HSBC, tem até agosto para finalizar a venda, mas o nome do comprador deve sair ainda esse mês.

Se o Bradesco adquirir o HSBC, o que isso representará para o banco?
Pagando entre R$ 10 bilhões e R$ 14 bilhões pelo HSBC, a compra ajudaria o Bradesco a se aproximar do segundo colocado em ativos, o Itaú Unibanco (ITUB4), já que ele totalizaria R$ 1,18 trilhão em ativos – enquanto o Itaú conta com R$ 1,3 trilhão. O Banco do Brasil (BBAS3) é o maior, com R$ 1,54 bilhão, enquanto o HSBC é apenas o sétimo, segundo dados dos balanços das próprias empresas. Mas, além da oportunidade de ficar mais próximo do maior concorrente, a aquisição teria especial importância em termos de sinergias que podem trazer ao banco. Para analistas, o Bradesco tem mais sinergias a extrair do processo do que o Santander (SANB11), que é o segundo banco mais provável de comprar o HSBC. A oportunidade que se abre para o Bradesco é de incorporar rapidamente os clientes sem trazer 100% dos custos que o HSBC tem atualmente.  O HSBC tem atualmente 853 agências no país, mas não seria exatamente isso que os bancos estão de olho, segundo o analista Pedro Galdi, da blog Whats Call Research. "O que os bancos querem é comprar a carteira de clientes. Agência nenhum deles precisa", revela.  

As expectativas sobre o Bradesco aumentaram depois que fontes disseram, além do valor da oferta, que o banco teria mais facilidade de integrar os ativos do HSBC Holdings e de obter aprovação do governo do que um banco estrangeiro, como o Santander, que também fez uma oferta, mas algo entre R$ 9 bilhões e R$ 10 bilhões. O Itaú, entre os três, que teria feito a menor oferta de R$ 8 bilhões, no piso do mercado. "O Itaú estaria no páreo apenas para pressionar o preço e deixar a concorrência pegar fogo", cogita João Augusto Frotta, analista da Lopes Filho. Para o Deutsche Bank, o HSBC pode ser avaliado a múltiplos parecidos com os do Santander Brasil ou do BB, a 1,3 vezes o patrimônio líquido, o que equivaleria a algo em torno de R$ 10 bilhões e R$ 14 bilhões – dentro da possível faixa ofertada pelo Bradesco. Ou seja, o preço é avaliado como "justo". O banco, no entanto, declarou em nota na semana passada, quando começaram a pipocar informações sobre sua oferta, que desconhece essa informação, mas que está "continuamente analisando oportunidades de operação que estejam alinhadas com sua estratégia de crescimento".

E se o Santander ganhar a disputa?
A segunda hipótese recai sobre o Santander – que teria apresentado um valor menor do que o Bradesco e encontraria maiores dificuldades para obter aprovação do governo. Contudo, para os analistas, a operação faria sentido pelo fato do banco já ter demonstrado interesse em crescer no Brasil. Em meados de maio, o banco falou que faria uma oferta de compra da unidade do HSBC no país e que teria condições de absorver uma operação desse porte, conforme destacado pelo presidente-executivo do banco espanhol no Brasil, Jesus Zabalza. "Um banco com patrimônio de cerca de US$ 4 bilhões para um nível de capital como o nosso é assumível", disse. Em relatório, analistas do Deutsche Bank destacaram que, embora a unidade do HSBC no Brasil seja relativamente pequena, com apenas 2% de participação no mercado de ativos, a avaliação é de que a aquisição poderia adicionar valor para qualquer outro banco que pretendesse aumentar a sua presença por aqui, tais como Santander, BTG Pactual, Citibank e talvez Inbursa. A carteira de crédito do HSBC é composta principalmente por empréstimos comerciais (70% do total), enquanto empréstimos a pessoas físicas correspondem a 22% – os 8% restantes são de hipotecas.

Reação na Bolsa
Para um analista que pediu anonimato uma vez que as informações não passam de suposições, independente de quem for o comprador, as ações do banco que vencer a disputa devem cair no dia do anúncio. Isso porque tanto Bradesco, quanto Itaú e Santander, têm operações rentáveis e estarão desembolsando um valor elevado para uma operação que roda com prejuízo. No ano passado, o HSBC registrou perdas de R$ 549 milhões em sua operação brasileira.  Além disso, é importante ter conhecimento de qual é o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) do HSBC, já que esse índice é de 24,5% no Itaú, enquanto que Bradesco está na casa de 21,5%, o que justifica serem negociados atualmente com prêmio em relação ao patrimônio líquido. “Isto é, comprar o HSBC a um múltiplo próximo ao valor de patrimônio se justifica dado que o ROE deve ser menor do que o registrado por esses bancos”, opina Celson Plácido, estrategista-chefe da XP Investimentos. Vale lembrar que a venda da subsidiária brasileira faz parte do plano global do HSBC de aumentar sua rentabilidade.  Já a visão para os papéis que ficarem de fora, ou seja, que não conseguirem levar o HSBC, a expectativa é de que não sejam afetados em Bolsa. Vale mencionar que, no acumulado do ano, Itaú e Bradesco caem cerca de 3%, enquanto o Santander avança 18%.

Consequências
Em relatório do UBS que a Reuters teve acesso, analistas apontaram que, se o Bradesco vencer a disputa, poderá ter forte queda do índice de Basileia. Se o Bradesco pagasse a transação com caixa e os órgãos reguladores aprovassem o negócio rapidamente, o chamado capital de nível 1 do Bradesco poderia cair para 10,1%, ante 12,1% em março, escreveram os analistas liderados por Philip Finch em nota a clientes. O índice de Basileia, medida da força financeira a reserva de capital em relação a ativos ponderados pelo risco de um banco, deve ter piso de 11% no Brasil. O capital de nível 1, composto sobretudo pelo patrimônio líquido, é o principal componente de Basileia. Para o Bradesco atingir esse piso teria de ter uma queda de R$ 6,7 bilhões no capital. Se a aprovação demorar mais, no cenário mais provável, o Bradesco poderia acumular lucro, que o ajudaria a cobrir grande parte desse déficit, calcula a Finch. Mas, se a compra fosse aprovada no fim do ano, o déficit de capital cairia para R$ 5,4 bilhões. O Bradesco deve pagar R$ 1,6 bilhão em dividendos trimestrais este ano, disseram os analistas. 

HSBC no Brasil

 

Total de ativos

Quase R$ 168 bilhões

Clientes

4.603.625

Patrimônio Líquido

R$ 9,732 bilhões

Número de agências

853

Operação brasileira em 2014

Prejuízo de R$ 549 milhões

Funcionários

20.448 pessoas

Abrangência

531 cidades



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comentarios


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Antonio Merces

O triste de tudo isso são 20 mil funcionários com uma incerteza muito grande com relação ao emprego, pois o grande interesse de Bradesco e Itaú, ou até um terceiro, são os 20 milhões de clientes e toda a rentabilidade decorrente. Lamentável ainda mais considerando o nosso atual estágio da economia nacional e as múltiplas crises que estamos vivenciando.

Marco Grün

Ganha-se muito e também perde-se muito com especulação. Seja do jeito que for, o certo mesmo é que teremos (em caso de venda) mais uma página lamentável na história econômica Tupiniquim. Grandes corporações chegam até nosso país (aliás, como há mais de 500 anos vem ocorrendo) buscando garantir divisas no menor tempo possível, sugando de toda forma o capital interno e, depois, quando saciadas, voltam para seus países de origem deixando um rastro de desintegração social para os seus colaboradores e para a sociedade como um todo.

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