O dilema da Selic a 16%

Juro terá de ser elevado para colocar inflação no centro da meta, mas isso agrava o quadro recessivo no país

Por Infomoney

O dilema da Selic a 16%

Na última semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic em 0,5 ponto percentual, para 13,75% ao ano e, em comunicado, deixou em aberto se haverá mais altas de juros. Mas, conforme destacam os economistas Ricardo Tadeu Martins e Cristiano de Barros Caris, da Planner Corretora, ainda há muito mais espaço para elevar a Selic. "Não há como não admitir. Apesar dos acontecimentos recentes, como medidas de ajuste fiscal e votações no Congresso, os atores principais no Brasil sempre serão inflação e taxa de juros. Os outros, meros coadjuvantes", concluem.

A determinação do Banco Central (BC) é evidente quando afirma que a política de juros só será revertida quando em seu cenário a inflação apontar para uma reversão certeira para a meta de 4,5% para 2016. Os analistas avaliam que, mesmo com a desaceleração inflacionária recente, os maiores níveis relativos ao ano passado pressionarão a inflação bem acima da meta. E para que o BC atinja o seu objetivo de colocar a inflação no centro da meta de 4,5% ao ano em 2016, os juros devem subir muito mais. "Pelos cálculos, a taxa de juros para trazer essa inflação já em 2016 para a meta de 4,5% terá de atingir 16%", apostam Martins e Caris. Eles destacam ainda que, pela realidade brasileira, não precisa ser especialista no assunto para saber que isso significa movimentos de desaceleração mais acentuados na produção industrial, no desemprego, na perda do poder de compra e na propensão a consumir. Os economistas destacam ainda que, na última reunião do Copom, a determinação do BC continua evidente quanto à decisão, uma vez que ela foi unânime, sem viés e com o mesmo comunicado desde janeiro. "Nos resta aguardar as entrelinhas'da ata da reunião em 11 de junho", avaliam Martins e Caris.

Quanto isso pode custar para os brasileiros?
Os economistas da Planner destacam que, além das expectativas mais recessivas que isso trará, já que se espera uma retração de 1% no PIB do segundo trimestre de 2015, a agência de classificação de risco Moody’s considera que “os juros persistentemente altos” aumentarão os custos de financiamento do governo. Ainda que se alcance as metas de superávit primário, de 1,2% para este ano, as elevadas taxas manterão em alta a carga de pagamento de juros do governo em 2016. O aumento de 0,5 ponto percentual da Selic elevou a dívida interna em mais de R$ 11 bilhões. A expectativa é de que o nível da dívida do país se mantenha em 66% do PIB em 2016 e acima de 60% por todo o governo Dilma, até 2018 e, nesse período, a Moody's não espera que o superávit supere 2% do PIB. Esse cenário deverá enfraquecer o perfil de crédito soberano do Brasil, já que a dívida do país é a mais alta dentre os pares com rating “Baa” da Moody’s. "Não é de agora que a Moody’s vem sinalizando que o Brasil perderá o grau de investimento", recordam os economistas.  De volta à inflação, agora a de serviços, os fortes reajustes das tarifas de energia elétrica e água e esgoto comprometem ainda mais o orçamento doméstico. Martins e Caris  destacam ainda que é importante observar que a população de baixa renda vem sentindo mais os efeitos da inflação.

 


leia também

comentarios




Antonio Siqueira

É difícil acreditarmos que um governo que só consegue aumentar a taxa de juros e depreciar a moeda possa ter algum sucesso!

Comentar

Adicione um comentário: