Franco defende privatização para retomada do crescimento

Ex-presidente do Banco Central participou do Tá na Mesa

Por Dirceu Chirivino

dirceu@amanha.com.br

Gustavo Franco defende privatização para retomada do crescimento

A Federasul (Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul) recebeu nesta quarta-feira (25/04) o economista e ex-presidente do Banco Central (BC), Gustavo Franco (foto). O atual presidente da Fundação Novo e estrategista-chefe da Rio Bravo Investimentos – nome cotado para o Ministério da Fazenda, caso a chapa de João Amôedo (Novo) venha a ser vitoriosa na eleição ao Planalto em outubro – defendeu veemente a necessidade de “privatizar tudo, porque o desempenho das estatais tem sido lamentável”. Franco, que foi um dos principais personagens da criação do Plano Real, em 1994, fez questão de mostrar números da economia brasileira, de forma didática, no último século e, também, comparar a imagem do país, no quesito trabalho, renda e qualidade de vida, frente aos demais países da comunidade internacional.

Ao falar sobre privatizações, Franco afirmou que “privatizar é assegurar que o serviço seja prestado, afinal, caro é não ter serviços”, enfatizou. “A ideia de privatizar tudo é que a gente deve cogitar, sim, privatizar tudo. Não existe nenhuma regra religiosa que diga que não se pode privatizar, se esse é o melhor caminho. Difícil dizer que não é, tendo em vista o desempenho lamentável das empresas estatais nos últimos anos”, reiterou. Ao analisar os números comparativos entre o funcionalismo público brasileiro e de outros países, revelou que aqui o empregado público ganha, em média, 67% a mais que os mesmos profissionais, com características idênticas. Ele também fez questão de tocar em um dos pontos nevrálgicos do Brasil: a precária infraestrutura. Na visão de Franco, a solução para esse problema está no capital privado. “Quanto mais amistoso é o regime regulatório, melhor [será] para o investimento privado, pois conseguimos atrair mais aportes. Em muitos setores, as restrições são regulatórias, inclusive de modelagem. E a gente precisa, em segmentos mais complexos, como saneamento, facilitar a entrada de capital privado. Esse é um setor especialmente sensível, pois a falta de investimento é brutal”, opinou. 

Outro ponto abordado por Franco foi o das reformas estruturantes promovidas pelo governo federal. Para ele “a reforma assegura salário e velhice dignos”. Ele foi além dizendo que o trabalhador deve ter a noção básica de que a aposentadoria deve ser vista como uma “caderneta de poupança” e o salário tem de ser condizente com a contribuição feita pelo trabalhador ao longo de sua vida. A presidente da Federasul, Simone Leite, provocou o economista sobre o programa de recuperação fiscal proposto por Brasília aos estados em dificuldades financeiras, caso do Rio Grande do Sul. “O Regime de Recuperação Fiscal é algo louvável e que ele pode, sim, retomar o equilíbrio financeiro e, também, da retomada do crescimento da economia dos estados”, respondeu. “Os governantes devem enfrentar o gás lacrimogênio das manifestações e pensar na sustentabilidade financeira do Estado como um todo, e não olhando para pequenos grupos que estão preocupados com seus interesses e não com os da população, que é a sócia majoritária”, criticou. 


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