Indústria catarinense de carne contesta embargo europeu

Decisão é claramente protecionista, afirmam Acav e Sindicarne

Da Redação

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Indústria catarinense de carne contesta embargo europeu

A Associação Catarinense de Avicultura (Acav) e o Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados no Estado de Santa Catarina (Sindicarne) manifestaram seu posicionamento tendo em vista a suspensão da habilitação de 20 plantas exportadoras de carne de frango pela União Europeia (leia mais detalhes aqui).  

“A indústria brasileira de carne e, em especial, a indústria catarinense, atingiu nas últimas décadas um elevado nível de segurança e qualidade em sua operação, condição internacionalmente admirada e reconhecida. Os padrões de biosseguridade, os avanços genéticos e a atenção extrema à sanidade e ao manejo fizeram da nossa produção agropecuária uma das mais seguras de todas as cadeias produtivas, graças ao empenho e profissionalização dos produtores rurais e aos pesados, intensos e contínuos investimentos das agroindústrias”, relata o documento. 

“As indústrias brasileiras e catarinenses de carnes, notadamente as de aves e suínos, adotam o que há de mais avançado em máquinas, equipamentos, processos e recursos tecnológicos, assegurando alimentos cárneos confiáveis e de alta qualidade. Essas características permitiram à agroindústria brasileira e catarinense exportar carne para mais de 160 países, entre eles, os mais exigentes do planeta em termos de qualidade e sanidade”, destacam as entidades.

“Santa Catarina é o maior exportador de carne de aves do Brasil, mantendo uma vasta, moderna e avançada cadeia produtiva que envolve mais de 60 mil trabalhadores nas agroindústrias e 10 mil produtores rurais no campo, representando um VBP (valor bruto de produção) de R$ 6,2 bilhões por ano. Afiguram-se, portanto, infundadas e inaceitáveis as alegações da Comunidade Europeia segundo as quais as motivações do embargo das indústrias brasileiras seriam de ordem sanitária, especialmente porque o Brasil cumpre rigorosamente as regras estabelecidas pelo Acordo de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias da Organização Mundial do Comércio (OMC). Nesse cenário, a decisão europeia é claramente protecionista do mercado local, pois, a própria autoridade sanitária europeia se contradiz ao posicionar que, se o Brasil pagar sobretaxa de 1.024 euros por tonelada e embarcar o produto como carne in natura, as importações seriam retomadas sem problemas”, evidenciam.  

A Acav e o Sindicarne, no entanto, aprovam a iniciativa da ABPA e do Ministério da Agricultura em pedir a abertura de painel contra a União Europeia na OMC. “Esse será o foro adequado para se questionar os critérios determinados para os embarques de produtos salgados (com apenas 1,2% de sal adicionado), que são obrigados a cumprir critérios de análises para mais de 2,6 mil tipos de Salmonella – as quais não são nocivas à saúde humana – enquanto para o produto estritamente in natura (sem sal adicionado) são exigidos apenas análises para dois tipos de Salmonella.As entidades alertam que, se a União Europeia não revogar a equivocada decisão desta semana, será inevitável a redução do tamanho da cadeia produtiva, com demissões massivas, desativação de plantas e granjas e drástica redução da produção, prejudicando produtores integrados, transportadores e milhares de agentes econômicos vinculados à avicultura catarinense”, alertam as entidades. 


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