Riosulense: da madeira ao automóvel

Crescimento do setor automotivo exigiu produção contínua de peças

Da Redação

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Riosulense: da madeira ao automóvel

O trecho a seguir faz parte do livro “Santa Catarina – Grandes Marcas”, publicado pelo Instituto AMANHÃ.


Uma cidade em pleno desenvolvimento e um trio de empreendedores dispostos a contribuir para o crescimento da economia local. Nesse cenário, ergueu-se a Riosulense, uma das principais metalúrgicas nacionais. Além da obstinação, Alexandre Georg, Erich Storrer e Alfredo Wuerz tinham experiência em mecânica e tornearia. Para atender à demanda das madeireiras e fecularias, a metalúrgica situada no interior da cidade de Rio do Sul iniciou as operações em 1946, prestando serviços de mecânica básica às indústrias locais. Aproveitando um bom momento do mercado, passou a fabricar também peças, acessórios e máquinas – como serras de fita, serras circulares, guinchos, eixos, chanfradores, centrífugas, estufas e separadores. Os bons resultados da metalúrgica e a multiplicação de registros contábeis trouxeram para a empresa, em 1947, o atual presidente do Conselho Administrativo da Riosulense, João Stramosk – então como auxiliar contábil. 

Na década de 1950, a Riosulense continuava a oferecer serviços de oficina mecânica, além de reparos nos carros de boi que transportavam a madeira. Rio do Sul e a metalúrgica cresciam juntas. Os números positivos das atividades da região refletiam o desenvolvimento do setor industrial nacional. E os investimentos do governo Juscelino Kubistchek estimularam a instalação de fábricas no país, sobretudo a indústria automotiva. Percebendo a oportunidade de crescimento e o potencial do setor, a Riosulense adquiriu uma pequena fábrica de autopeças na sua cidade. O mesmo empreendedorismo que guiou sua fundação norteou a nova fase da metalúrgica. Com uma década de atuação, a companhia passou a investir na produção de peças automotivas, guias de válvulas para atender especialmente ao segmento de reposição nacional. 

Em meados dos anos 1960, o processo de produção da Riosulense ainda era artesanal, e o controle de qualidade era feito pelos funcionários, sem nenhum recurso tecnológico. A busca pela maior qualidade dos produtos conduziu a um período de mudanças operacionais e técnicas, principalmente nos setores de fundição e usinagem, além da melhoria nos processos e maquinários industriais, permitindo o desenvolvimento de novos produtos. Aos poucos, a Riosulense passou a produzir também sedes de válvulas e varetas de solda. E as peças da Metalúrgica começavam a ganhar o país através de oficinas mecânicas e retíficas.

Uma grande expansão ocorreu no início da década de 1970, quando a frota do Brasil praticamente triplicou, chegando a mais de 900 mil automóveis. Tal ampliação possibilitou a presença da marca em todo o Brasil, com representantes espalhados por todo o território nacional. Durante esse período, já como diretor-presidente, Stramosk assumiu o controle acionário da Riosulense – renovando a gestão e incorporando novos processos de fabricação. Todos os esforços se voltaram para o objetivo de ampliar a produção. 

O crescimento do setor automotivo exigiu das indústrias metalúrgicas a produção contínua de peças. Com alta qualidade, assistência técnica e pontualidade na entrega, a Riosulense se fortaleceu junto no mercado, conquistando a credibilidade da clientela ao superar sua distância física dos grandes centros consumidores. O sucesso das vendas para o mercado nacional de reposição fez aumentar o espaço do setor de autopeças da Riosulense, que passou a ser responsável por boa parte do faturamento da empresa. Foi no final da década de 1970 que a empresa passou por um reposicionamento: voltando-se por completo para o setor automotivo, não atenderia mais à indústria do amido – já praticamente extinta na região –, fugindo da crise madeireira. Em contrapartida, o mercado de reposição trazia estabilidade produtiva, mesmo com a crise da indústria automobilística. Assim, a empresa entrou na década de 1980 com as atividades focadas no setor de peças automotivas.

Apesar de superar os períodos de estagnação econômica, crises industriais, fim dos ciclos da madeira e da fécula, nos anos 1980 a Riosulense foi atingida por uma intempérie natural. Uma forte enchente devastou sua sede, e colocou a empresa em sérias dificuldades financeiras, levando-a a paralisar por dois meses a produção. A árdua reconstrução trouxe uma nova sede, em 1992, com modernas e amplas estruturas, e uma fundição com capacidade de 360 toneladas por mês, que dava autonomia à empresa. Para atender às principais montadoras do país, a empresa passou por um processo de modernização, investindo na otimização dos processos e em um sistema de gestão profissionalizada com setores de apoio à produção. As melhorias aplicadas e o esforço contínuo levaram à conquista do Prêmio Confederação Nacional da Indústria (CNI) de Incentivo à Qualidade e Produtividade em 1992. Em 1999, a metalúrgica conquistou a ISO 9002, importante certificação de qualidade de processos de produção, instalação e serviços.

Ao longo dos anos, o viés de inovação levou a Riosulense a novos nichos. Não foi diferente em 2011, quando a empresa iniciou um projeto de inserção no setor ferroviário nacional. Desenvolvendo peças para o segmento, a empresa tornou-se um importante fornecedor de suprimento para vias permanentes, vagões e locomotivas. Mesmo com crescimento gradual, a busca pela qualidade e atualização dos processos e maquinário é contínua. Em 2014, a Riosulense foi a primeira no ramo de fundição no Brasil a possuir o certificado internacional de fornecimento de linhas de produtos para empresas de transporte e geração de energia – o Performance Review Institute (PRI). 


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