Selic deve voltar a ter redução em maio

Nova queda reduz risco da inflação demorar a chegar na meta

Por Agência Brasil

redacao@amanha.com.br

Selic deve voltar a ter redução em maio e cortes se encerram em junho, prevê ata do Copom

A taxa básica de juros, a Selic, pode voltar a ser reduzida na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), marcada para maio. É o que sinaliza a ata da última reunião do comitê, realizada na última semana, quando a Selic foi reduzida em 0,25 ponto percentual, para 6,5% ao ano. A ata foi divulgada nesta terça-feira (27), no site do BC. Nessa reunião a Selic passou pelo 12º corte seguido.

“A evolução do cenário básico tornou adequada a redução da taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual nesta reunião. Para a próxima reunião [em maio], o comitê vê, neste momento, como apropriada uma flexibilização monetária moderada adicional [redução da Selic de 0,25 ponto percentual]”, prevê a ata. Para o comitê, uma nova redução da Selic reduz o risco de a inflação demorar a chegar ao centro da meta. 

O Copom lembra que as expectativas de mercado para a inflação em 2018 estão em torno de 3,6%. Para 2019 e 2020, as projeções estão em cerca de 4,2% e de 4%, respectivamente. A meta de inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA,) é de 4,5% neste ano, 4,25% em 2019 e 4% em 2020. O intervalo de tolerância é de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Entretanto, o comitê ressalta que essa visão de nova redução na Selic na próxima reunião pode mudar e o ciclo de cortes ser interrompido em maio, caso não seja mais necessário reduzir o risco de que a inflação demore a chegar à meta. Caso o cenário atual se mantenha, o Copom sinalizou para junho a interrupção do ciclo de cortes na Selic, “visando avaliar os próximos passos”.

Na ata, o Copom lembrou que anteriormente, chegou a sinalizar que poderia interromper o ciclo de cortes neste mês. Entretanto, os diretores do BC avaliaram que a evolução da conjuntura tornou clara, ao longo do tempo, a necessidade de “um ajuste da política monetária [redução da Selic] em relação ao movimento que havia sido sinalizado como mais provável na reunião anterior”.

 “Parte desse ajuste pôde ser implementado pela redução da taxa Selic para 6,5% ao ano, que já estava refletida nas projeções de analistas”, afirma o comitê. “Entretanto, os membros do Copom concluíram pela necessidade de tornar a política monetária um pouco mais estimulativa”, acrescenta a ata. Para o Copom, a recuperação da economia brasileira é consistente. “À medida que a atividade econômica se recupera, a inflação tende a voltar gradualmente para a meta”, nota o documento do BC.

Na ata, o comitê avalia ainda que há risco de a inflação ficar abaixo do esperado. Por outro lado, diz o Copom, uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode elevar a trajetória de inflação. “O Copom entende que tem que balancear essas duas dimensões, tendo em vista a incerteza quanto às defasagens do impacto de estímulos monetários na trajetória da inflação”, diz a ata em relação ao tempo que leva para as reduções na Selic gerarem efeito na inflação. “Isso envolve reagir para assegurar que a inflação convirja para a meta numa velocidade adequada e ao mesmo tempo garantir que a conquista da inflação baixa perdure, mesmo diante de choques adversos. O Copom reafirma que tem flexibilidade para reagir a riscos de ambos os lados”, destaca o documento.


leia também

Banco Central mantém taxa básica de juros em 6,5% ao ano - A decisão surpreendeu o mercado, que esperava uma redução da Selic

BC mantém juros básicos da economia em 6,5% ao ano - Com a decisão, a Selic continua no menor nível desde 1986

BC mantém juros pela terceira vez seguida - A decisão era esperada pelos analistas financeiros

BC prefere não sinalizar próximos passos na definição da Selic - O Copom declara que acompanhará as diferentes formas de repasse da alta do dólar para a inflação

Com expectativa de inflação em 4,2%, corte na Selic pode ser interrompido - Ata do Copom ressalta, no entanto, que pode baixar juro na próxima reunião

Copom não indica rumos da Selic, mesmo com inflação em baixa - BC avaliou que a economia segue operando com alto nível de ociosidade dos fatores de produção

comentarios


Seja o primeiro a comentar a notícia!



Comentar

Adicione um comentário: