Correção chegou ao fim?

Para analistas, Bolsa ainda está "mais cara do que barata"

Por Infomoney

Correção chegou ao fim?

Passado a forte correção de maio, que levou embora a euforia do mercado em abril, o Ibovespa finalmente teria encontrado seu "preço justo" na casa dos 53 mil pontos? Ainda é difícil dizer, mas analistas revelam que o índice estaria mais próximo da realidade. No entanto, eles não descartam que ainda há espaço para queda. "O Ibovespa está um pouco mais caro do que barato", aposta a casa de research Empiricus em relatório.

O Credit Suisse também comentou que o Brasil, depois de perder quase 10% (em real) das máximas registradas em maio (perto dos 58 mil pontos), teve seu P/L [Preço sobre Lucro, indicador que mensura se a Bolsa está cara ou barata e mostra em quantos anos o valor investido será recuperado] de 12 meses retornando ao patamar de 12 vezes (contra 13 vezes, recentemente), mas ainda assim negociado 20% acima da média histórica dos últimos cinco anos (10 vezes). Ou seja, ainda há espaço para correção. O banco suíço sublinha que essa percepção está aliada à estimativa para crescimento do lucro líquido por ação das empresas brasileiras no próximo ano. Esse patamar, segundo especialistas, ainda se situa em um valor bastante alto e, caso essa situação não se confirme, a tendência natural é que possa ocorrer uma convergência da Bolsa para a média.

Após divulgação do PIB do primeiro trimestre do Brasil na última sexta-feira (29), a equipe econômica do Credit Suisse revisou suas projeções. Segundo o economista-chefe do banco, Nilson Teixeira, não dá para simplesmente descartar uma recessão no ano que vem, apesar de manter sua previsão de expansão de 0,6%. Para este ano, o banco revisou a expectativa de contração do PIB para, ao menos, 1,8%. Vale lembrar que na virada de abril para maio o Credit Suisse havia destacado que a Bolsa estava descolada dos seus fundamentos e uma correção poderia ser iniciada em seguida. O banco ressaltava, naquela ocasião, que estava underweight (exposição abaixo da média) no Brasil. 

Segundo a casa de research Empiricus, em meio a tantos ajustes gradualmente agonizantes, um choque de reprecificação não seria tão ruim. "Dependerá fundamentalmente do câmbio, que não tem dó de ninguém", alerta o relatório. Na sexta-feira, em entrevista ao InfoMoney, o analista-chefe Luis Gustavo Pereira, da Guide Investimentos, comentou que a Bolsa estaria bem próxima do seu preço justo. "Nosso modelo aponta que o preço justo do Ibovespa é no patamar de 55.400 pontos e a Bolsa está bem perto disso", frisou, lembrando ainda que se deve considerar nessa conta o fator negativo do cenário econômico, que não está dos melhores, em meio a um ciclo de alta de juros, que ainda deve perdurar por um tempo. Pereira ainda destacou que em maio o mercado estava caro e a correção foi importante, mas que não acreditava que o mercado esteja olhando a Bolsa como "barata" até porque as perspectivas para o lucro das empresas não são animadoras. "Estamos neutros", comentou na ocasião.



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