Nova fase da Operação Carne Fraca atinge BRF

Fraudes em laboratórios levaram à nova fase de ação da PF

Da Redação, com Agência Brasil

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PF cumpre nova fase da Operação Carne Fraca contra a BRF

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta segunda-feira (5), a 3ª fase da Operação Carne Fraca, denominada Operação Trapaça, que tem como alvo das investigações laboratórios credenciados no Ministério da Agricultura. “As investigações demonstraram que cinco laboratórios credenciados junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e setores de análises de determinado grupo empresarial fraudavam resultados de exames em amostras de seu processo industrial, informando ao Serviço de Inspeção Federal dados fictícios em laudos e planilhas técnicos”, diz a nota divulgada pela PF. A BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, é um dos alvos desta fase.

Estão sendo cumpridas 91 ordens judiciais no Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás e São Paulo. São 11 mandados de prisão temporária, 27 de condução coercitiva e 53 de busca e apreensão. No Paraná, os mandados são cumpridos em Curitiba, Araucária, Castro, Carambeí, Dois Vizinhos, Maringá, Palmeira, Ipiranga, Piraí do Sul, Ponta Grossa e Toledo. Em Chapecó (SC) são quatro mandados de busca e apreensão, dois mandados de condução coercitiva e um mandado de prisão temporária. Já em Treze Tílias (SC), os agentes devem cumprir um mandado de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária. No Rio Grande do Sul, o mandato está sendo cumprido em Arroio do Meio. Entre os alvos dos mandados de prisão estão o ex-CEO da empresa, Pedro Faria, que ficou à frente da BRF até 31 de dezembro, e o ex-vice-presidente Hélio Rubens Mendes dos Santos Junior, que renunciou na última semana.

Pela investigação da PF, cinco laboratórios credenciados no Ministério da Agricultura fraudavam os resultados de exames e amostras do processo industrial de uma empresa do ramo. Eles repassavam laudos e dados fictícios ao Serviço de Inspeção Federal, impedindo que o órgão governamental conseguisse fiscalizar a qualidade do processo industrial. 

A BRF divulgou uma nota informando que pretende colaborar com as investigações da Operação Carne Fraca “para esclarecimento dos fatos”. O comunicado afirma ainda que a empresa está se inteirando dos detalhes da referida operação, mas que está inteiramente à disposição das autoridades. “A companhia segue as normas e regulamentos brasileiros e internacionais referentes à produção e comercialização de seus produtos, e há mais de 80 anos a BRF demonstra seus compromissos com a qualidade e segurança alimentar, os quais estão presentes em todas as suas operações no Brasil e no mundo”, sublinha o texto.

Nota do Ministério da Agricultura
O Ministério da Agricultura informou, por meio de nota, que o alvo principal da Operação Trapaça é a fraude nos resultados de análises laboratoriais relacionados ao grupo de bactérias Salmonella spp. “A referida operação visa apurar indícios de fraudes relacionadas à emissão de laudos por laboratórios privados e credenciados junto à Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) por laboratório privado e acreditado na ABNT NBR ISO/IEC 17025, para sustentar o processo de controle de qualidade e a certificação de produtos para o mercado”.

De acordo o órgão, a fiscalização do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal já havia identificado irregularidades nos “procedimentos para respaldo à certificação sanitária implementada em algumas unidades frigoríficas, o que resultou em exclusão desses estabelecimentos para exportação aos 12 países que exigem requisitos sanitários específicos de controle e tipificação de Salmonella spp”.

A nota informa ainda que, entre outras medidas adotados pela SDA, a partir da ação conjunta com a Polícia Federal, estão a “suspensão do credenciamento dos laboratórios alvo da operação, até finalização dos procedimentos de investigação, que poderão resultar no cancelamento definitivo do credenciamento; suspensão dos estabelecimentos envolvidos para exportar a países que exigem requisitos sanitários específicos de controle e tipificação de Salmonella spp.; e a implementação de medidas complementares de fiscalização, com aumento de frequência de amostragem para as empresas envolvidas, até o final do processo de investigação".


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