Dasvidaniya, Rússia

Copas não representam necessariamente uma vara de condão que transformará tímidos em vivazes

Por Fernando Dourado Filho, de São Paulo (SP)

Copas não representam necessariamente uma vara de condão que transformará tímidos em vivazes, lembra Fernando Dourado Filho

Neymar deverá estar em forma na Rússia por ocasião da Copa, é o que esperamos. De minha parte, estou fora. Acaba de vencer o prazo contratual que eu tinha para confirmar presença entre Moscou, São Petersburgo, Sochi e Kazan, por ocasião do torneio, conforme vinha planejando há meses. Projetos mais relevantes se interpuseram a meio caminho e já que a vida é feita de escolhas, conclui hoje mesmo que daqui posso ver os jogos pela televisão. Já estando lá, não poderia cumprir tudo o que me prende ao projeto de São Paulo. Este 28 de fevereiro passa a ser conhecido como o meu "Dia do Fico". Como costumo pensar nessas horas, outras Copas virão, muito embora o charme especial de assisti-la na Rússia não possa ser facilmente igualado. Menos ainda no Golfo, em 2022, sob calor de 45 graus. Paciência. 

Nesse contexto, posso não ser grande atleta. Mas gosto de ver os grandes eventos desportivos ao vivo, quando calha de dar certo. Tanto assim foi que desde 1982 – ocasião em que choramos na Copa da Espanha –, sempre dei um jeito de ver um pedacinho de um torneio de tênis, um mundial Interclubes, a Champions, Copa ou mesmo Jogos Olímpicos. Não fico indiferente sequer ao basquete, modalidade que nunca foi de minhas favoritas. Mas quem há de resistir à NBA? Certo mesmo é que poucas coisas se comparam a uma Copa do Mundo. E a Rússia, com todas as suas aberrantes imperfeições, é um país fascinante, multifacetado, e que certamente saberá organizar um evento à altura. Viajar país afora a reboque dos jogos da Seleção – e de outros times – seria uma alegria à parte.  

Convém observar que a partir do que vimos no Brasil, hoje sabemos bem que Copas não representam necessariamente uma vara de condão que, no caso da Rússia, transformará introspectivos em extrovertidos, taciturnos em efusivos, melancólicos em exuberantes ou tímidos em vivazes. Mas algo sempre fica. Os russos podem ser gente calorosa, quando estimulada. O verão quente opera milagres na psique defensiva e a presença do colorido de muitas nações por certo os ajudará a sair do casulo e abraçar desconhecidos. Ademais, viajar do Mar Negro às margens do Volga não é má ideia. Assim sendo, na falta de poder estar lá ao vivo, eu e o amigo Ricardo Veras deveremos lançar um pequeno livro, já em elaboração, para que você se sinta tentado a descobrir uma Rússia que vai bem além daquela bola quadrada que eles jogam.       

Na falta de melhor, dasvidaniya, Rússia. Ou até logo! 


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