Operação de venda de ativos da Gerdau está perto do fim

Anúncio foi feito pelo CEO Gustavo Werneck

Por Marcos Graciani

graciani@amanha.com.br

Operação de venda de ativos da Gerdau está perto do fim, avisa Gustavo Werneck

Ao anunciar os resultados do exercício de 2017, o CEO da Gerdau Gustavo Werneck (foto), revelou que a operação de venda de ativos da companhia, iniciada há quatro anos, está perto do fim. “As recentes negociações de usinas nos Estados Unidos, por exemplo, vão nos permitir atuar em segmentos com maior rentabilidade com barras, perfis estruturais e aços especiais. A reavaliação de nossos ativos está em fase final, o que nos fará focar em plantas com maior potencial”, destacou na audioconferência, a primeira sem a presença de membros da família Gerdau. 

Werneck evitou comentar se a companhia fez oferta por ativos que Votorantim e ArcelorMittal Brasil terão de vender após acordo com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Harley Scardoelli, diretor financeiro da Gerdau, afirmou que o que sobra do programa de desinvestimentos do grupo serão vendas de ativos mais pontuais, sem grandes operações previstas. Desde 2014, o plano de desinvestimentos da empresa alcançou um valor de R$ 6,3 bilhões. No ano passado, a Gerdau reduziu as despesas com vendas, gerais e administrativas em quase R$ 600 milhões, e o endividamento líquido em cerca de 10%. 

O novo presidente também apresentou perspectivas otimistas para todos os mercados onde a companhia atua. No Brasil, o crescimento econômico deve elevar a demanda de aço, com destaque para a indústria, enquanto a construção civil seguirá em recuperação gradual. No caso do setor automotivo, a previsão é que sejam vendidas 3 milhões de unidades, mesmo patamar de 2014. Nos Estados Unidos, o consumo de aços longos deve evoluir nos principais segmentos consumidores: construção não-residencial, industrial e óleo e gás. O que também pode acelerar os ganhos da empresa em território norte-americano será a política de infraestrutura prometida por Donald Trump. 

A Gerdau encerrou 2017 com R$ 37 bilhões de receita líquida consolidada – uma redução de 2% em comparação com o exercício anterior, influenciada pela diminuição de 4% nas vendas. No exercício, o resultado da Gerdau foi impactado negativamente por itens não-recorrentes no valor de R$ 861 milhões, sem efeito no caixa [esses itens referem-se à reversão de provisão para contingências pela exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e a COFINS e por baixas contábeis – imobilizado e ágio – líquido de impostos]. Em razão disso, a companhia apresentou o lucro líquido ajustado. Com isso, o lucro apresentou significativa evolução, passando de R$ 91 milhões em 2016 para R$ 522 milhões no ano passado. 

Em comunicado, a XP Investimentos afirmou estar satisfeita com o balanço anual da Gerdau. “[Os resultados] mostram forte recuperação na geração de caixa, sobretudo nas operações no Brasil, com a margem saindo de 9% para 17,4% na comparação anual. De uma forma geral os resultados vieram cerca de 8% acima de nossas expectativas, devendo trazer reação positiva para as ações no curto prazo”, afirma a corretora. “Contudo, na América do Norte as operações ainda não mostraram evolução, com a margem recuando neste trimestre em relação ao período anterior, sendo um dos principais pontos de incerteza para este ano. Reconhecemos que o ciclo do principal setor de demanda da Gerdau (construção civil) é mais longo, mas por outro lado, já dá sinais de recuperação”, finaliza o relatório.


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