Inteligência Competitiva e Corporate Venturing devem andar lado a lado

Área pode ajudar grandes empresas que buscam inovação disruptiva de maneira rápida e barata

Por Fábio Rios

Inteligência Competitiva e Corporate Venturing devem andar lado a lado, prega Fábio Rios, da Plugar

As startups têm uma contribuição fantástica para a gestão em todo o mundo! Como a maneira de gerir estes negócios demanda uma abordagem diferente da tradicional, dezenas de novas práticas de gestão foram criadas nos últimos anos. São técnicas que exigem atividades rápidas, objetivas e precisas. Tempo é dinheiro. No caso das startups, nem tempo e nem dinheiro existem. Tudo, então, precisa oferecer um esforço menor, mas não menos garantia de que os caminhos escolhidos estão certos.

O mais interessante é que, cada vez mais, grandes empresas estão abandonando métodos tradicionais e partindo para técnicas até então consideradas exclusivas de startups. O principal caminho que estas grandes organizações estão tomando se dá por meio do Corporate Venturing (CV). Segundo a ACE, principal aceleradora de startups do Brasil, Corporate Venturing é o crescente movimento de grandes empresas em busca de inovação disruptiva de maneira mais rápida e mais barata. É uma prática que consiste no investimento sistemático em startups, normalmente ligadas à atuação daquela empresa investidora.

E onde fica a Inteligência Competitiva (IC) nesse contexto? A grande verdade é que algumas crenças e paradigmas da Inteligência precisam terminar. Talvez a primeira seja a máxima de que o papel da Inteligência acaba na recomendação do plano de ação. Isso não faz mais sentido há bastante tempo. As áreas de Inteligência precisam, cada vez mais, participar do processo decisório das empresas de maneira efetiva. A Inteligência precisa participar do planejamento e da execução de ações relacionadas a vendas, marketing, produtos, inovação, compras, gestão de pessoas, entre tantos outros processos capazes de receber contribuição destas práticas. A Inteligência precisa ir mais a campo, precisa interagir com clientes, conversar com fornecedores, “depender” menos de informação secundária e buscar mais a primária, além de estar próxima do front. Com esta nova postura, a contribuição junto aos processos de negócio será mais relevante e as portas se abrirão ainda mais.

A percepção sobre a relação entre IC – em especial a Inteligência Comercial, que tem ênfase na busca de oportunidades junto a clientes – e CV veio de uma recente pesquisa realizada pela Harvard Business School – HBS Alumni Angels of Brazil, intitulada "Status de Corporate Venture no Brasil: como grandes empresas estão se relacionando com o ecossistema empreendedor" (leia o estudo na íntegra aqui). Entre outros insights, a pesquisa revela depoimentos sobre as expectativas de grandes organizações com investimentos em startups, o que permite enxergar a correlação entre IC e CV. A principal expectativa reportada foi estratégica, visando à expansão em direção a novos mercados, novas competências e novos canais, o que foi apontado por 85% das empresas que responderam ao estudo.

Traçando um paralelo imediato, podemos buscar o depoimento do especialista em Inteligência Competitiva, Rodrigo Mazuchowski, em um estudo realizado pela Plugar e lançado em dezembro. O documento tem como título "REPORT PLUGAR: a Inteligência Competitiva em 2018". “A digitalização da sociedade como um todo está ocorrendo em uma velocidade muito maior do que aquelas empresas que estão voltadas e preocupadas com essa adequação conseguem se ajustar (...). Este processo conduz uma descentralização e democratização de processos de inovação, surgimento de novos concorrentes alternativos (...). Essa proliferação de novas propostas de valor (devido à facilidade da tecnologia) com novas empresas e startups, somada à capacidade de disrupção destes entrantes, gera uma mudança de entendimento das pessoas sobre suas necessidades (...). Ter a capacidade de compreender e monitorar todos os movimentos, evitar as surpresas e preparar-se para mudanças de cenário exige profissionais dedicados à Inteligência Competitiva (...). Com isso, vejo que a IC acelerará seu ciclo de amadurecimento e passará a ser uma exigência de dirigentes das grandes empresas”, antevê Mazuchowski (tenha acesso ao estudo completo clicando aqui). 

Em outras palavras, Mazuchowski afirma que a IC pode contribuir no monitoramento de oportunidades, capaz de antecipar novas fronteiras que as empresas podem ultrapassar, minimizando riscos de obsolescência ou estagnação em seus mercados. Ele, inclusive, cita a disrupção trazida essencialmente por startups, pequenas empresas mais ágeis e com menos paradigmas que acabam surpreendendo grandes dinossauros do setor. Neste sentido, não seria, então, óbvio que está faltando ação junto às áreas de Inteligência? Com certeza está! As áreas de Inteligência são vistas como despesas e deveriam ser custos na essência. Estar na ponta do processo decisório, criando novos produtos, construindo novas camadas de serviços, propondo novos modelos de negócio, entre outras ações – e não recomendações – deveriam estar na agenda do dia de qualquer área de Inteligência Competitiva.

Há complexidade para isso? Culturalmente, há muita. As áreas de Inteligência, via de regra, constroem uma capacidade fantástica de compreender o negócio como um todo, na extensão de sua cadeia de valor, formando opinião detalhada sobre competidores, clientes, oportunidades, ameaças, tendências e visão de longo prazo. Não é coerente, então, sair desta estrutura à nova fronteira das organizações? Deixo essa provocação aberta. 


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