O varejo sente a crise, mas não está vulnerável

Para Alberto Serrentino, setor vai saber enfrentar recuo do consumo

Por Laura D'Angelo, de São Paulo

laura.cauduro@amanha.com.br

O varejo sente a crise, mas não está vulnerável

Lá se vão dois anos de queda no crescimento do setor de varejo no Brasil. O primeiro trimestre de 2015 também não trouxe números alentadores. A presidente do Instituto para o Desenvolvimento para o Varejo (IDV) e dona do Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano, considera que o desempenho das vendas de janeiro a abril foi o pior em três anos. As somas de resultados não mostram um cenário positivo para o varejo, mas, ao contrário de décadas passadas, o setor tem se mostrado bem preparado para enfrentar o recuo no consumo, na avaliação de Alberto Serrentino, consultor especialista em varejo da Varese Retail Strategy.

Serrentino considera que o momento atual da economia brasileira tem revelado a maturidade do varejo no país.  “No passado, grandes como Arapuã e Mesbla sucumbiram à crise. Hoje, nenhuma grande empresa corre risco. Estão todas com uma estrutura de capital saudável”, disse durante o evento “Reinvenção do Consumidor”, promovido pela SAP em São Paulo. O especialista ainda destaca os planos de expansão de inúmeras empresas, tais como Magazine Luiza, Via Varejo, e as sulistas Panvel, O Boticário, Renner e Arezzo. “Todas elas estão olhando para além de 2015. O momento ruim vai passar e sai mais barato crescer agora, pois a concorrência se fragiliza”, salienta.

Apesar de prever a elevação dos preços ao consumidor no segundo semestre deste ano e, consequentemente, um maior recuo no consumo, Serrentino aponta uma saída que tem sido cada vez melhor aproveitada pelo varejo brasileiro: o e-commerce. “As vendas online só crescem. Deixou de ser um mercado de nicho para ser de massa”, completa. Um bom exemplo da importância crescente do canal de vendas digital é a loja virtual da Paquetá Esportes, do grupo gaúcho Paquetá. Em abril deste ano, o site foi a quinta principal loja da empresa e a expectativa é que, até o final de 2016, se transforme na principal, conforme informação de Jorge Nitschke, CIO do Grupo Paquetá.

O otimismo em relação à capacidade de superação do setor é compartilhado por Elia Chatah, diretor de Soluções para Varejo da SAP Brasil. Tanto que a desenvolvedora de TI não pretende diminuir o ritmo da projeção de crescer dois dígitos nas vendas de soluções digitais direcionadas ao varejo no país. Segundo Chatah, a classe média, que tanto impulsionou o varejo nos últimos anos, ainda tem uma demanda represada, o que reforça a necessidade das empresas de se prepararem e investirem em tecnologia para quando o mercado, mais a frente, voltar a ser comprador. “O consumidor está demandando que o varejo invista em tecnologia. Ele quer rapidez e praticidade. É hora de trazer a tecnologia para tirar o consumidor de casa para as compras”, diz, fazendo referência às soluções desenvolvidas pela SAP que ajudam as marcas a coletar preferências dos clientes, promover ofertas personalizadas e potencializar as vendas.



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