O educador

Jean-Michel Blanquer parece ser um desses quadros que vêm se preparando há décadas para o cargo

Por Fernando Dourado Filho, de Estrasburgo (França)

Jean-Michel Blanquer parece ser um desses quadros que vêm se preparando há décadas para o cargo

Foi a primeira-dama Brigitte Macron que alertou o marido presidente de que a [a pasta da] Educação precisava de alguém com o perfil de Jean-Michel Blanquer. A conclusão inicial que se impõe é que a experiência de Brigitte, aos 64 anos, é bom complemento ao brilho de Emmanuel. Pois além do carisma que valeu ao "En Marche" uma surpreendente votação do eleitorado da meia-idade, eis que ela também tem demonstrado ter apurado tirocínio para identificar pessoas. E, como educadora, estava mais do que autorizada a saber julgar as competências do agora ministro.

Fato é que Blanquer parece ser um desses quadros que vêm se preparando há décadas para a Rue de Grenelle, sede do Ministério. Se o presidente fosse Alain Juppé, ele já teria sido a escolha preferencial, antes mesmo de cair no radar de Madame Macron. Em se tratando de um tema nevrálgico como a educação, está claro que ele não poderia galvanizar unanimidades. Mas certo mesmo é que ninguém contestou até agora o iluminado axioma de partida de suas inquietações que se resume a como reforçar as relações humanas em meio à revolução tecnológica? 

Pois bem, eis que os jornais estampam nesta sexta-feira (16) seu receituário. Por um lado, pode-se dizer que ele nada tem de surpreendente. Por outro, não deixa de ser uma revolução. O que propugna Sua Excelência para o ensino básico? Uniforme escolar obrigatório, proibição de telefone celular na escola, tabuada, ditado três vezes por semana, latim – e a volta do ensino das línguas antigas –, formação de corais, severidade na avaliação e professores voltados só e tão somente à inovação pedagógica. Nota 10! O próprio Macron, nem sempre simpático ao brilho dos colaboradores, aplaude-o de pé. 

Eis um exemplo que espero que frutifique. E que se alastre a valiosa lição de que não se deve ter medo de mexer em vespeiros. Às vésperas do Cinquentenário de Maio de 1968, eis um homem providencial.


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