Pratique a tolerância consigo mesmo

Para atacar a ansiedade é preciso focar outros aspectos da vida

Por Alfredo Maluf Neto* e Ana Merzel Kernkraut**

Para atacar a ansiedade é preciso focar outros aspectos da vida

A Organização Mundial da Saúde (OMS) revela que 322 milhões de pessoas sofrem de depressão. O Brasil tem a maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade e a quinta maior com depressão. Esses males incluem medo e ansiedade excessivos e perturbações comportamentais relacionadas. A ansiedade é a antecipação de ameaça futura. O medo é uma resposta emocional a um perigo que é percebido como real ou imaginário. Essas emoções são acompanhadas de uma resposta fisiológica, como uma adaptação do organismo para se defender de um perigo. Os ataques de pânico se destacam dentro dos transtornos de ansiedade como um tipo particular de resposta ao medo, e têm características muito particulares, além de causar grande sofrimento, impedindo a realização de determinada atividade.

Se antes falávamos que aspectos pessoais e profissionais não se misturavam, ou que deveriam se manter separados, o que vemos hoje é uma maior integração. Muitas vezes, o executivo está no trabalho resolvendo questões pessoais, ou em casa, solucionando tarefas profissionais, pois a tecnologia permitiu essa integração na medida em que nem sempre é necessária a presença física. E como esses aspectos se unem e elevam o grau de ansiedade? Essa condição está relacionada a fatores de personalidade, que são características individuais e marcam o jeito de funcionar diante de situações que a vida apresenta. Por exemplo, existem pessoas que lidam muito bem com situações de pressão, sem sofrimento. A maneira como cada um vai responder às exigências da vida se dá de forma diferente, mas quando determinada situação provoca tensão, e o indivíduo se sente com dificuldade ou incapaz de resolver, o desconforto pode tomar conta, fazendo com que ele busque respostas para aliviar essa sensação.

Para lidar com a ansiedade, é necessário o reconhecimento de que algo não está bem. Muitas vezes, é preciso mudar o estilo de vida. Em outras,  são necessárias adaptações na rotina e, dependendo do incômodo que a ansiedade provoca, se faz necessária medicação e psicoterapia com o objetivo de fazer a pessoa entender, aprender a identificar e manejar situações que provoquem ansiedade. De uma maneira geral, é importante que a pessoa tenha horários para atividades que proporcionem relaxamento: para alguns, pode ser atividade física. Para outros, sair com amigos, ler um livro, meditar. Enfim, tarefas prazerosas. Atualmente, é sabido que praticar exercícios é um importante componente e que deve ser incluído no dia a dia.

Outra medida é saber desligar-se do trabalho, ou de problemas pessoais, e focar outros aspectos da vida. Por exemplo, existem pessoas que mesmo em momentos de lazer ou férias checam com frequência seus e-mails ou os grupos de Whatsapp de trabalho. Muitas dessas situações podem trazer preocupação, pois a pessoa poderá estar impedida de resolver o problema porque está distante do escritório.  Também é necessário otimizar o tempo. Se o deslocamento entre a empresa e a casa é grande, que tal parar no caminho para fazer atividade física ao invés de ficar parado no trânsito? Enfim, maior qualidade de vida é um remédio para muitos males. E nunca é demais lembrar: pratique a tolerância consigo mesmo, aprenda quais são suas competências e dificuldades, e aprenda a lidar com elas.

*Coordenador do Serviço de Psiquiatria do Hospital Albert Einstein e **coordenadora do Serviço de Psicologia do Hospital Albert Einstein.


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