Karsten: uma marca de história e futuro

Três sócios estabeleceram uma das mais antigas empresas de SC

Da Redação

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Unidade fabril da Karsten

O trecho a seguir faz parte do livro “Santa Catarina – Grandes Marcas”, publicado pelo Instituto AMANHÃ.


Aproveitando as corredeiras do rio Testo, entre Blumenau e Pomerode, três sócios estabeleceram uma das mais famosas e antigas empresas de Santa Catarina. A companhia, hoje conhecida simplesmente como Karsten, iniciou sua história com o nome dos três sócios fundadores: Roeder, Karsten & Hadlich. A sua tradição e força no setor têxtil catarinense vem do século XIX. Em 1882, não havia eletricidade na região, e a energia era gerada pelo rio, que movia uma roda d’água para acionar as máquinas de fiação – filatórios com 300 fusos – e seis teares importados da Alemanha. Também do país germânico chegaram os fundadores da tecelagem: Johann Karsten, Gustav Roeder e Heinrich Hadlich. 

Estimulando a cultura têxtil na região, a empresa passou a trabalhar na produção e manufatura de algodão, de forma cooperada, montando uma associação para organizar suas atividades. Mas a empreitada não foi fácil. Entre os maiores desafios que marcaram os primeiros anos da empresa estava o clima desfavorável da região para o plantio de algodão, além do alto custo de importação da matéria-prima. Quatro anos após a fundação, os sócios de Johann Karsten deixaram o negócio. Determinado em levar a empresa adiante, Johann concentrou a produção da tecelagem em tecidos para vestuário.

Após 34 anos de fundação, em 1916, Johann deixou o controle da empresa aos filhos Christian e João – que assumiram, respectivamente, as áreas de produção e comercial. Essa nova estrutura administrativa se refletia na mudança de nome e nos rumos da produção. A têxtil passou a se chamar Karsten Irmãos, com foco no produto que se tornaria o carro-chefe da empresa por décadas: toalhas de mesa.

Sob o comando dos irmãos, os negócios prosperaram. Com a produção aumentada, as demandas por energia cresceram bastante, o que levou a roda d’água a ser substituída por modernas turbinas hidráulicas. O excedente energético produzido com os novos equipamentos era distribuído à comunidade local que, até então, não contava com energia elétrica. A Karsten, desde então, demonstrava a preocupação com o desenvolvimento social da área onde estava instalada.

Em 1933, a empresa mudou sua natureza jurídica – de limitada para sociedade anônima –, passando a se chamar Companhia Karsten. Mais tarde, em 1941, a razão social foi alterada para Companhia Têxtil Karsten. No final da década de 1930, Christian afastou-se do comando da empresa, e João levou seu filho, Walter, para auxiliá-lo na administração.

Com o término da Segunda Guerra Mundial, a importação de maquinário mais moderno marcou a atualização tecnológica da companhia. Com novos teares e estampadoras, a empresa deu início à produção de tecidos voltados para a decoração de ambientes.

No ano de 1971, com 21 acionistas, a companhia abriu seu capital e obteve um forte impulso para o seu desenvolvimento. Para assegurar a sua posição no mercado interno e atender às exigências do mercado internacional, a empresa passou por mais uma fase de atualização tecnológica, ampliando consideravelmente seu parque fabril.  Com novos teares de felpa, o portfólio de produtos foi incrementado com a adição da linha banho. Em 1976,  João Karsten faleceu, após 60 anos à frente do negócio. Seus dois filhos, Walter e Ralf, levaram adiante a tradição familiar na administração da companhia.

Sob o comando da terceira geração da família, a Karsten passou por um período de significativa evolução, modernizando e inovando práticas fabris. O cuidado com a preservação do meio ambiente sempre esteve presente nas suas rotinas. Já atenta a práticas sustentáveis, no final da década de 1980, a empresa inaugurou uma estação biológica de tratamentos de efluentes, a primeira entre as têxteis catarinenses. Nessa época, metade de sua produção era direcionada ao mercado externo, tendo a Alemanha e os Estados Unidos como principais compradores.

A década de 1990 testemunhou importantes avanços tecnológicos e administrativos. E a aquisição de modernos teares de Jacquard possibilitou a criação de produtos diferenciados, além do aprimoramento de design nos artigos da linha banho. Carlos Odebrecht, sobrinho de Ralf, assumiu o comando da empresa e a colocou entre os principais exportadores de produtos têxteis para o lar. Para melhorar o desempenho operacional, em 1998 a companhia incorporou a controlada Fiovale S.A.


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