Fátima Bernardes cai no frevo

Pouca gente fez tanto por Pernambuco ultimamente quanto Túlio Gadêlha

Por Fernando Dourado Filho, de São Paulo (SP)

Fátima Bernardes e Túlio Gadelha

A apresentadora Fátima Bernardes está amando. O namorado, um pernambucano cujos traços lembram o falecido cantor sertanejo Zé Rico, que fazia dupla com Milionário, foi recentemente exonerado de um órgão público. Disse à imprensa que o empregador alegou desídia, ou seja, negligência no cumprimento do dever. Convenhamos, isso é absurdo. Por mais que o jovem doutor Gadêlha esteja voltado para obrigações conjugais muito mais imperativas e inadiáveis, é dar prova de excesso de zelo desligá-lo por tão pouco. Em primeiro lugar, nunca vi um servidor público ser demitido por não gostar de trabalhar. Em segundo, pouca gente fez tanto por Pernambuco ultimamente quanto ele, trazendo a saltitante Fátima para suar ao nosso ritmo, provar nossos quitutes e se deixar fotografar em nossas praias. Por fim, o bom Túlio não deve estar muito preocupado. Ela foi a primeira a consolá-lo da desdita com as palavras doces de quem acaba de se lambuzar com bolo de rolo: "A vida é assim mesmo, amor. O ano esta só começando. Temos mais é que nos preocupar em achar lugares bonitos para tirar fotos", postou no Instagram, para o gáudio de milhares. Bom trabalho, conterrâneo. Quem mandou Wiliam Bonner descuidar? Será que ele ousaria usar o velho bordão da Copa e perguntar no ar: "Boa noite, Fátima Bernardes. Onde está você?" Já pensou nas respostas que ele estaria exposto a ouvir? "Quer saber mesmo, William? Amor, traz aqui uma toalha para eu me enrolar que vou entrar ao vivo". Não, melhor não. 

No fundo, não lamento pelo casal que eles formavam. Devem ter tido seus bons momentos e aquela harmonia excessiva, feita de fotos na Disney, ambos escoltados por trigêmeos enfastiados, terminava por humilhar o padrão médio de felicidade conjugal brasileiro. Com cada um soltando seus demônios, tudo fica melhor. Lá voltou William dia desses da Europa com a fisioterapeuta que vinha escondendo, até que ela – as mulheres são sempre mais corajosas e verdadeiras – tirou do armário sua versão de Zé Rico, de óculos escuros esparramados, costeletas revoltas e um ar bem nosso que parece querer dizer: "Agora fiquem longe que essa bichinha aqui já tem dono". É como um desbravador que finca o mastro do estendal em terra nova e toma posse. Ela deve estar gostando da experiência. Por mais que digam que amar é meio ridículo e que um dia a casa cai, bem sabemos que isso é conversa de quem só enxerga de fora e sente inveja. Os envolvidos só têm olhos mesmo para o que os une: uma pitomba dividida na ponta das línguas, a sensualidade de uma tapioca molhada, um puxa-puxa compartilhado, a cena da linguiça matuta chafurdando na farofa bolão e as promessas de voltar no sábado de Zé Pereira para ver o Galo da Madrugada. O servidor público exonerado deve estar já com convite para o camarote do governador, doido por um close com Fatinha, nossa nova musa. Ademais, pela idade do advogado, os filhos ganharam um irmão mais velho e um mentor doméstico, o que não deveria desagradar William, sendo ele o homem civilizado e sensato que parece ser. 

Meus votos, como já se intui, em semana em que o país viveu as tensões de pareceres por certo mais doutos do que o meu, são para que sejam felizes, sem olhar o amanhã. Estão certos Fátima e o preclaro Doutor Túlio Gadêlha – a quem recomendo a tesoura do barbeiro Zé Eudes, no salão Fígaro, da Rua dos Navegantes, perto do Ilha da Costa, onde ele levou Fátima dia desses para comer um energizante ensopado de ostras. E explico por quê. Faz muito bem ela porque com o jovem namorado os tempos mortos não serão despendidos com estéreis discussões de pauta, um cacoete profissional de jornalistas. Surfar nas suíças de Túlio deve ser, por enquanto, o mais próximo que chegou ao sublime em muitos anos. Quanto a ele, se já não sabia isso antes, agora está de uma vez por todas enfronhado nos mistérios do amor pelas mãos (sim senhor, tudo começa por aí) de uma pós-balzaquiana cheia de encantos, vasto repertório e fino olhar para este mundão que ele começa a descobrir. Se estivéssemos em outro ambiente, era o caso de dizer que é uma relação ganha-ganha equilibrada, daí essa ovação que os cerca. Quanto a mim, não sei se um dia voltarei a me apaixonar desse jeito. Para ser sincero, espero que não. Não que tema o ridículo, o transbordamento, aquele vexame que as almas que se descobrem gêmeas amam protagonizar. É só porque acho mesmo que tive minha cota e começo a ter um prazer tão grande em observar quanto já tive em, por assim dizer, me lambuzar. Vão fundo, Túlio e Fátima. Depois, Pernambuco é lindo lugar para se namorar. Como se diz no previsível Facebook: "Aproveitem".    


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