Ser antifrágil é acompanhar o mercado

Mesmo cometendo algum erro, ele consegue aprender e reverter a situação da melhor forma, tornando-se mais consistente

Por Fábio Rios

Netflix

O mundo está mudando cada vez mais rapidamente e com os negócios não é diferente. Grandes empresas fecham as portas, startups dominam o mundo, produtos tradicionais desaparecem a uma velocidade impressionante e, em questão de segundos, as empresas são surpreendidas por tendências que não foram antecipadas. 

Como as marcas podem lidar com isso? Com Inteligência de Mercado e antifragilidade, um neologismo proposto por Nassim Nicholas Taleb, libanês radicado nos Estados Unidos, que significa o exato oposto da fragilidade. Segundo o ensaísta e pesquisador, não é robustez ou tenacidade, mas sim a capacidade de resistir aos impactos e aprender com eles para evitar danos futuros. O antifrágil é aquele que mesmo cometendo algum erro, consegue aprender e reverter a situação da melhor forma, tornando-se mais consistente.

No mundo dos negócios, ser antifrágil não é necessariamente estar a salvo de todas as mudanças, mas sim se adaptar ao novo com rapidez e tranquilidade. Algo que só é possível com uma compreensão profunda de necessidades de mercado, competidores, clientes, mudanças culturais, etc.

Da mesma forma, a Inteligência de Mercado funciona como suporte para que todas as iniciativas da empresa sejam precisas o suficiente para provocar os efeitos que elas desejam. Oferecer produtos e soluções focados no consumidor, nas suas vontades e ambições é o principal objetivo das novas organizações. Para isso, é preciso não somente acompanhar as mudanças do mercado e transformar o modelo de atuação, com o máximo de segurança possível, sem achismos ou intuições.

Do antifrágil ao resultado ágil
Para entendermos melhor como funciona a antifragilidade, podemos nos basear na história da Netflix(foto), a maior provedora global de filmes e séries em formato streaming. Reed Hastings, fundador da empresa, ao sofrer para pagar à rede de locadoras Blockbuster uma multa de US$ 40 por ter devolvido com atraso um DVD do filme "Apollo 13" aprendeu com o seu erro. Para evitar que ele e milhares de pessoas passassem por isso, em 1997 apostou em um serviço que eliminaria a possibilidade de perder dinheiro com multas – tudo que os consumidores queriam.

A ideia inicial da Netflix foi ofertar aluguel de filmes pelo correio mediante o pagamento de uma taxa fixa, sem cobrança de multas ou data fixa para entrega. O projeto foi um sucesso e abalou os números da gigante Blockbuster, que em 2001 rejeitou uma oferta para comprar 49% da startup por US$ 50 milhões. Mesmo com êxito nos negócios, diante das mudanças tecnológicas, a Netflix mudou o formato de entrega do serviço: entrou o streaming digital de filmes e outros conteúdos audiovisuais. A Blockbuster, muito maior, se manteve fiel ao formato de locadora de vídeos e DVDs e acabou pedindo concordata em 2010. Já a Netflix tem mais de 100 milhões de clientes em todo o mundo. Ou seja, sobreviveu a empresa que identificou o cenário mais rápido, se adaptando às novas necessidades dos clientes e não a que tinha mais musculatura. 

É importante lembrar que qualquer empresa pode atuar dessa forma hoje – ou melhor, seguir uma cultura de mudança e um pensamento baseado na antifragilidade. Mesmo aquelas mais robustas e tradicionais, que nasceram com o objetivo de garantir uma boa fatia do mercado e são fundamentadas por mecanismos que não facilitam sua movimentação em outra direção.

Para mudar suas realidades de forma ágil, basta usar das práticas de Inteligência de Mercado e passar a olhar e para a própria empresa e para o mercado de forma diferente. Assim, essas companhias poderão desfrutar de benefícios, como: atuar ainda mais próximo ao consumidor, monitorando seus hábitos, desejos e gostos para oferecer em produto e solução exatamente aquilo que ele procura; acompanhar as movimentações dos concorrentes; e estar sempre por dentro das novidades que o setor apresenta.

Portanto, nesse cenário de incertezas constantes, elas têm, naturalmente, dois caminhos a seguir: transformar-se por completo e ingressar em um universo antifrágil, muito diferente do tradicional, ou resistir às mudanças e abraçar fielmente os antigos formatos de atuação. Ao investir na primeira opção, a aposta não se dá somente em inovação, mas também no presente, em tornar a sua empresa melhor hoje para a cada dia conquistar um consumidor que também está em constante transformação.


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